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De Volta nas Telonas: Hiroshima Meu Amor

Filme que tem importância histórica é exibido novamente nos cinemas

13/03/2017 00:40 Por Rubens Ewald Filho
De Volta nas Telonas: Hiroshima Meu Amor

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Hiroshima Meu Amor (Hiroshima Mon Amour)

França, 1959. 90 min. Diretor: Alain Resnais. Elenco: Emmanuelle Riva, Eiji Okada, Stela Dassas, Bernard Fresson, Pierre Barbaud.

Sinopse: Em Hiroshima, no Japão, as margens do Rio Oda, uma atriz francesa tem um encontro amoroso com um arquiteto japonês.

Comentários: Curiosamente lançado aqui apenas como Hiroshima mon Amour, este foi o primeiro longa-metragem do então já famoso documentarista Resnais (1922-2014). É importante situar a época e comentar que este filme foi: 1) precursor da Nouvelle Vague que começou no mesmo ano e absorveu o diretor no movimento; 2) foi feito no auge da Guerra Fria, onde havia pavor de uma Guerra Atômica e esse era um tema muito incentivado pelo Partido Comunista, já que o poder americano era maior e eles faziam tudo para condenar a decisão americana de soltar bombas atômicas em duas cidades no Japão para precipitar o fim e a rendição e evitar mais mortes de soldados aliados. Ou seja, falar em Paz era coisa da Esquerda e condenação dos EUA; 3) O filme era muito ousado estilisticamente, misturando literatura e cinema, fugindo do realismo (mesmo na interpretação de Riva, que dá sempre um toque teatral ou artificial de propósito). Mas principalmente ousando misturar passado e presente sem os flashbacks tradicionais (coisa hoje absorvida pelo público, mas então uma revolução na linguagem).

Resnais pensou antes em Françoise Sagan para escrever o roteiro (estava no auge da moda dela, mas esta recusou) e depois em Marguerite Duras, da linha do Nouveau Roman e futura diretora de cinema de vanguarda. Seu estilo pessoal, romântico e preciso, marca todo o filme. Sem dúvida, os primeiros minutos são uma intocável obra-prima, quando um casal na cama primeiro parece se liquefazer como se fosse areia, depois suor (como as vitimas da cidade queimadas pela força de mil sóis). É um casal na cama de um hotel: uma atriz francesa que veio rodar um filme internacional na cidade e um arquiteto japonês, ambos casados e felizes com outros. O diálogo se repete: “Eu vi tudo em Hiroshima... Você nada viu, ele replica.”

Em forma de documentário, ou seja, precursor da moda de docudrama, visitamos museus e a cidade trazendo ainda as cicatrizes da tragédia. Depois o filme perde um pouco o fôlego quando o japonês insiste em continuar com a europeia que irá partir no dia seguinte. Isso deflagra nela uma lembrança que tentava ocultar e esquecer. Quando muito jovem em sua cidade natal Nevers, ela teve um romance com um soldado alemão que foi morto em seus braços. Depois teve a cabeça raspada e foi escondida num porão pela família. O filme então se torna um exercício de tempo, memória e esquecimento (diz Duras: “Você não encontrará os limites do esquecimento tão longe que você não possa esquecer”). E teria sido também o precursor do jump cut, além do uso criativo de flashbacks.

À bem da verdade, o resto do filme não consegue comparar-se com o inicio tão brilhante. O casal se encontra no bastidor da filmagem, depois saem pela noite da cidade, quando ele consegue provocar a confissão dela ( e pedindo para ficarem juntos). Mas não ousaram repetir ou ampliar o clima poético e somente no finalzinho o filme readquire seu esplendor.

Para não dizer que é perfeito, perde fôlego como se não soubesse como terminar. A trilha musical é inesquecível.

HIroshima foi indicado ao Oscar de roteiro, ganhou prêmio da critica em Cannes, melhor filme estrangeiro pelos críticos de Nova York e Resnais foi indicado ao Sindicato dos Diretores! Traz referencias explicitas a Casablanca, Orfeu de Cocteau.

O ator japonês Eiji Okada (1920-95) não falava francês e teve que memorizar palavra por palavra de seu texto. Emanuelle Riva seria indicada para o Oscar por seu trabalho maduro em Amor (Amour) com Jean Louis Trintignant.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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