OSCAR 2026: FRANKENSTEIN (2025)
Sombrio, elegante e emocionalmente devastador. Um classico reimaginado com inteligencia e respeito
A nova versão de Frankenstein chega com a ousadia de revisitar um mito do cinema sem se curvar à simples repetição. Não é apenas terror, nem só ficção científica. É, acima de tudo, um drama sobre criação, culpa e solidão. O filme entende que o verdadeiro monstro nunca foi apenas a criatura.
A direção aposta em atmosfera, evitando sustos fáceis. Há uma construção visual sombria, elegante e cheia de textura. Cada sombra parece guardar um segredo moral. O ritmo é deliberado, quase literário.
O cientista é retratado menos como vilão e mais como homem consumido pela própria arrogância. A criatura, por sua vez, surge trágica, sensível e assustadoramente humana. Essa inversão emocional dá força ao drama. O espectador sente desconforto — e compaixão.
Os cenários góticos dialogam com tecnologia e decadência. A fotografia usa contrastes fortes, luzes recortadas e ambientes carregados de neblina. Tudo contribui para um clima de fábula sombria. A trilha sonora é grave, contida, reforçando o peso existencial da história.
O roteiro respeita o material original, mas arrisca leituras contemporâneas. Fala de ética científica, limites humanos e responsabilidade criadora. Não subestima o público. Exige atenção e entrega emocional.
As atuações seguem a mesma linha de contenção e intensidade. Nada é exagerado, e justamente por isso tudo soa mais perturbador. O silêncio pesa mais que os gritos.
As indicações ao Oscar 2026 reconhecem a ambição artística da produção. É uma obra que busca permanência, não apenas impacto imediato. Pode dividir opiniões, mas dificilmente será esquecida.
Frankenstein ressurge como tragédia humana, não apenas história de horror.
Nota: 4,5 / 5
Sobre o Colunista:
Edinho Pasquale
Editr-Executivo do site DVDMagazine
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