OSCAR 2026: SONHOS DE TREM
Um filme sensivel, guiado pela forca da imagem. Fotografia que transforma silencio em emocao
Sonhos de Trem é um filme que aposta na delicadeza como forma de impacto. A narrativa avança sem pressa, guiada mais pela sensibilidade do que pela ação. É cinema de observação, que convida o espectador a olhar, sentir e refletir. Nada é excessivo; tudo parece medido na escala certa da emoção, graças também pela bela atuação de Clint Bentley (e nos poucos minutos em cena de William H. Macy).
A direção compreende que a história se conta tanto pelo que se vê quanto pelo que se sugere. Nesse sentido, o trabalho de fotografia de Adolpho Veloso é absolutamente fundamental. Cada enquadramento parece pensado como uma memória em construção.
A luz natural, os contrastes suaves e o uso expressivo das paisagens criam uma atmosfera poética. Há beleza sem artificialismo, lirismo sem afetação. A câmera acompanha os personagens como quem respeita seu silêncio.
O trem, símbolo central do filme, funciona como metáfora de passagem, espera e desejo. O ritmo visual dialoga com o tempo interno da narrativa. É uma fotografia que não ilustra, mas interpreta o filme.
Não surpreende a indicação de Veloso ao Oscar 2026, que reconhece esse trabalho visual de rara elegância. O filme se destaca justamente por confiar na imagem como linguagem principal. Pode não agradar a quem busca respostas imediatas. Mas recompensa quem se entrega à experiência. Foi indicado a mais três categorias do Oscar: Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção Original, pela música "Train Dreams".
Sonhos de Trem é cinema que se aprecia com calma, como uma paisagem vista pela janela.
Nota: 4 / 5
Disponível na @netflixbrasil
DVD Magazine
Sobre o Colunista:
Edinho Pasquale
Editr-Executivo do site DVDMagazine
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