OSCAR 2026: SE EU TIVESSE PERNAS EU TE CHUTARIA
Um retrato acido das pequenas explosoes da vida moderna. E Rose Byrne sustenta o filme quase inteiramente com sua presenca em cena.
Se Eu Tivesse Pernas Eu Te Chutaria já começa pelo título provocador. E, de certa forma, ele traduz bem o tom da história. O filme mistura humor ácido, desconforto emocional e situações absurdas.
A narrativa acompanha uma personagem que parece viver à beira de um colapso cotidiano. Nada explode de forma espetacular, mas tudo está sempre prestes a sair do controle. É um retrato de ansiedade moderna, contado com ironia e certa crueldade.
A direção aposta em ritmo nervoso. Cenas rápidas, diálogos afiados e situações constrangedoras criam uma sensação constante de tensão. Nem sempre o equilíbrio entre comédia e drama funciona. Mas o filme tem personalidade. Há também um detalhe interessante: a câmera permanece muitas vezes colada à protagonista.
Grande parte do filme é construída a partir da imagem de Rose Byrne. Close-ups prolongados, enquadramentos apertados e movimentos que acompanham cada reação da atriz. A direção claramente aposta na força de sua expressão para conduzir a narrativa.
E Byrne responde com uma interpretação poderosa. Ela constrói uma personagem irritada, exausta e ao mesmo tempo vulnerável. Seu rosto transmite cansaço, sarcasmo e desespero com impressionante naturalidade.
Byrne domina o timing do humor ácido. Mas também encontra espaço para momentos de fragilidade verdadeira. É uma atuação física, nervosa e muito presente.
Mesmo quando o roteiro exagera nas situações, ela mantém tudo crível. O resultado é um filme inquieto e por vezes desconfortável.
Não é para todos os gostos, mas dificilmente passa despercebido.
Nota: 4/5
Sobre o Colunista:
Edinho Pasquale
Editr-Executivo do site DVDMagazine
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