OSCAR 2026: Song Sung Blue: Um Sonho a Dois
Um filme sobre gente comum que ousa continuar sonhando. E isso, no cinema e na vida, nao deixa de ser grande grande coisa
OSCAR 2026: Song Sung Blue: Um Sonho a Dois
Um filme sobre gente comum que ousa continuar sonhando. E isso, no cinema e na vida, já é grande coisa.
Song Sung Blue: Um Sonho a Dois chega manso, quase tímido, mas com o coração afinado na frequência da memória afetiva. É daqueles filmes que não pedem licença: entram pela música e ficam pela emoção. A história pode parecer pequena à primeira vista, mas cresce no olhar dos personagens. O roteiro aposta menos em reviravoltas e mais em gente de carne, osso e frustração acumulada. E isso, convenhamos, é muito mais difícil de sustentar.
A direção escolhe o caminho clássico, sem truques modernos para distrair. A câmera observa, respeita silêncios e deixa os atores respirarem.Há uma elegância antiga no ritmo, como se o filme também quisesse ser uma canção. Nem sempre tudo flui com a mesma força, mas quando encaixa, acerta bonito.
O Hugh Jackman entrega uma atuação de maturidade rara. Ele não interpreta um sonho; ele carrega o peso de quem já sonhou demais. Cada gesto tem história, cada pausa diz mais que um discurso inteiro. É um trabalho contido, humano, desses que a Academia adora notar - e com razão.
Kate Hudson ao seu lado é o coração pulsante do filme. Ela equilibra doçura e cansaço sem cair na caricatura. Seu olhar em cena muitas vezes substitui páginas de diálogo.
Há verdade ali, e verdade não se ensaia, se sente. Juntos, os dois criam uma química que sustenta até os trechos mais previsíveis.
A trilha não é mero fundo: é personagem. As músicas surgem como lembranças vivas, não como números de palco. O filme entende que cantar também é sobreviver.
E sobreviver, aqui, é um ato quase político de ternura.
Visualmente simples, emocionalmente generoso. Pode não ser revolucionário, mas é sincero — e sinceridade ainda comove. Não é um espetáculo, é um abraço demorado.
Indicações ao Oscar 2026 para os dois protagonistas seriam mais que justas, especialmente pela entrega emocional sem excessos.
Sobre o Colunista:
Edinho Pasquale
Editr-Executivo do site DVDMagazine
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