FILMES CLÁSSICOS NAS TELONAS: 3ª TEMPORADA - SEMANA 4

O Cinemark exibirá mais filmes clássicos consagrados por gerações. Nesta semana: Ghost - Do Outro Lado da Vida

25/09/2014 14:12 • Por Rubens Ewald Filho
FILMES CL�SSICOS NAS TELONAS: 3ª TEMPORADA - SEMANA 4

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O Cinemark trará uma segunda temporada de filmes clássicos nas telonas dos cinemas. Depois do sucesso da temporada anterior, os filmes escolhidos foram:

O PODEROSO CHEFÃO: PARTE II - dias 6, 7 e 10 de setembro

A FELICIDADE NÃO SE COMPRA - dias 13, 14 e 17 de setembro

CHINATOWN - dias 20, 21 e 24 de setembro

GHOST: DO OUTRO LADO DA VIDA - dias 27 e 28 de setembro e 1 de outubro

NASCIDO PARA MATAR - dias 4, 5 e 8 de outubro

OS CAÇA-FANTASMAS - dias 11, 12 e 15 de outubro

Para ver quais as salas e horários, visite o site do CINEMARK

 

A cada semana traremos a resenha crítica completa de cada filme a ser exibido. Nesta semana:

 

 

Ghost - Do Outro Lado da Vida (Ghost)

 

EUA, 1990. Diretor: Jerry Zucker. Elenco: Demi Moore, Patrick Swayze, Whoopi Goldberg, Tony Goldwyn, Rick Aviles, Vincent Schiavelli, Gail Boggs, Amelia McQueen, Phil Leeds.

Se você for procurar pela renda de Ghost, vai se assustar em descobrir que o filme de 1990, rendeu apenas nos EUA 213 milhões de dólares (sem ajustes) e mais 288 milhões no exterior. Como no Brasil se faz o certo, se divulga o número de lugares vendidos e não os de renda em dinheiro (esse sim da problemas de inflação), Ghost estaria nos últimos dados que consegui em oitavo lugar com 10.035.256! Os primeiros seriam Titanic (17 milhões), Tubarão (13.350), Tropa de Elite 2  (11.204), Os Vingadores (10.968), Dona Flor e seus Dois Maridos (10.735), Inferno na Torre (10.377), Saga Crepusculo Parte 2 (10.827) e em 1990, Ghost. Não há dúvida que a história romântica e principalmente espírita, conquistou um público que na época não ia tanto ao cinema. Se tornou um marco em nossa história.

É curioso também descobrir que o diretor do filme Jerry Zucker é famoso por outro motivo, pelas comédias /paródias que fez em parceria com o irmão David  Zucker e o amigo  Jim Abrahms, os grandes êxitos Apertem os Cintos, o Pilotou Sumiu  e depois  Corra que a Policia Vêm Aí, com Leslie Nielsen.  Curiosamente foi Jerry quem mudou inteiramente de gênero e fez um drama romântico/ espírita Ghost – Do Outro Lado da Vida, que bateu recordes de bilheteria, principalmente no Brasil. O susto foi ver o que David fez com “Corra que Tem Loucos por Aí”, uma comédia de Direita americana (a favor, não contra), reacionária e ainda por cima sem qualquer graça. Não há dúvidas que a amizade ficou abalada e até hoje é Jerry quem fez filmes mais ambiciosos como Lancelot – O Primeiro Cavaleiro (First Knight, 1995, com Sean Connery, Richard Gere). E a deliciosa Tá Todo Mundo Louco! (Rat Race, 2001 com Whoopi Goldberg, John Cleese).

Quem escreveu o roteiro de Ghost foi Bruce Joel Rubin que até levou o Oscar® da Academia por isso. Nascido em 1943 em Detroit, trabalhando muito com ficção cientifica e terror (Projeto BrainStorm, 83, A Maldição de Samantha, 86 e Alucinação do Passado, 90, que era autobiográfico sobre sua estada no Vietnã e fugia do normal). Assinou o roteiro do suspense O Engano com Goldie Hawn como Derek Saunders, Impacto Profundo, 98, O Pequeno Stuart Little 2, 02, Minzy a Chave do Universo, 07, Te Amarei para Sempre, 09, o japonês Gosuto, 10. Dirigiu apenas uma vez com Minha vida (93) com Nicole Kidman e Michael Keaton.

A sinopse de Ghost: quando o companheiro é morto ao resistir á um assalto, uma jovem passa a correr perigo porque o criminoso pretende atacar novamente. O fantasma do rapaz procura um meio de se comunicar e avisar a amada do perigo e também de uma traição eminente. Hoje já se sabe que esta história foi inspirada numa lenda urbana que Rubin ouviu sobre um falecido que tenta salvar do além túmulo sua amada mulher. Foi premiado com Oscar® de coadjuvante (para Whoopi) e roteiro (Rubin). Soube tirar partido da trilha musical de Maurice Jarre (que reutiliza a velha canção Unchained Melody), dosar o humor (na figura de Whoopi como uma falsa médium que descobre que realmente tem poderes, o diretor não a queria, mas quem a indicou foi Patrick Swayze que era seu fã e brigou por ela. Resultado: foi o maior êxito de sua carreira) e principalmente o romantismo. A trama não é nova mas o resultado é muito eficiente. Até o inexpressivo Swayze convence como o herói  (este teria ganho o papel ao chorar numa entrevista onde recordava o pai, era famoso por ser bom caráter e querido por seus colegas que lamentaram sua morte prematura em 2009). Há uma cena famosa (o casal fazendo cerâmica com as mãos entrelaçadas, que hoje é clássica e muito imitada), eficientes efeitos especiais, uma mensagem espírita encantadora. Ainda funciona e comove.

Bruce Willis não aceitou o personagem do filme porque não acreditava na história e se arrependeu disso. Nove anos depois, arrependido, topou fazer outro homem morto no êxito de O Sexto Sentido (99). Sua então mulher Demi Moore foi a estrela de Ghost e famosa por conseguir chorar com um único ou com os dois olhos. A seu gosto!

Em família: a mãe do roteirista Sondra Rubin faz a freira que desmaia quando vê o cheque! A mãe do diretor faz a empregada do banco. Michelle Pfeiffer, Nicole Kidman, Kathleen Turner, Kim Basinger, Debra Winger, Geena Davis, Molly Ringwald, Meg Ryan, Jennifer Jason Leigh e Madonna foram consideradas para o papel de Demi.

 

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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