RESENHA CRÍTICA: De Volta ao Jogo (John Wick)
De Volta ao Jogo (John Wick)
De Volta ao Jogo (John Wick)
EUA, 14.101 min. Direção de Chad Stahelski, David Leitch (sem credito). Roteiro de Derek Kolstad.Com Keanu Reeves, Michael Nyqvist, Alfie Allen, Willem Dafoe, Dean Winters. Adrianne Palicki, Bridget Moyanahan, Daniel Bernhardt.
Que fim levou Keanu Reeves? Pois passa muito e com este seu retorno ao filme de ação conseguiu ótimas criticas americanas e foi o primeiro lugar nas bilheterias (orçamento vinte milhões, renda até agora de 40). Mas importante os fãs se manifestaram saudosos do ator que ultimamente errou com o mega fracasso japonês 47 Ronins (ridículo mas não culpa dele) pelo qual passou um ano inteiro no Japão (veja que interessante, ele também dirigiu um longa metragem documental onde discutia com cineastas famosos os futuro do cinema digital). O fato é que aos 50 anos ele esta em forma - e fez noventa por cento de todos os stunts (cenas de ação) do filme: ele mesmo! - e com outros projetos em andamento (ainda por cima é dos atores preferidos dos brasileiros).
Sabem que eu gostei bastante deste John Wick, um policial B, muito competente, uma história violenta (porque influenciada pelos orientais, com algumas cenas fortes de ação) mas interessante. Por causa dos regulamentos ancestrais do Sindicato dos Diretores, foi dirigida por uma dupla, mas eles foram obrigados a assinar um como diretor Chad Stahelski, outro como produtor apenas, David Leitch. E se você prestar atenção vai perceber que o filme é uma reunion da série Matrix, não só dos atores (Bernhardt, Randall Duk Kim), mas justamente dos realizadores (eram dubles, sendo que Chad dublava Neo). Parece que se inspiraram em lutas clássicos, Keanu num judô e o vilão no jiu jitsu brasileiro.
Na verdade, não espere originalidade no roteiro. John Wick é um pistoleiro a serviço do crime organizado que largou tudo quando se apaixonou por uma mulher (pontinha de Bridget). Cinco anos depois ela morre de câncer e lhe deixa um cão como companheiro. Quando ele para seu carro de 1969, um Mustang cinza escuro, de volta do funeral é abordado por um gangster punk que quer comprar seu carro, onde esta envolvido o filho do chefe da quadrilha russa. O pai lhe diz que cometeu um erro mas ai é tarde demais (lhe matam o cachorro ainda por cima) e dali em diante o filme é só pancadaria, com jeito de vídeo-game (o personagem existe no gênero), mas muito bem encenada, com humor e um visual muito estiloso (o clímax é uma luta num night club). E sem duvida influencia oriental. Mas cuidado: só para quem curte o gênero. E Keanu.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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