RESENHA CRÍTICA: Um Plano Brilhante (Love Punch)
Filme com Pierce Brosnan e Emma Thompson não funciona tão bem quanto parece
Um Plano Brilhante (Love Punch)
Inglaterra/França, 2013. 94 min. Direção e roteiro de Joel Hopkins. Com Pierce Brosnan, Emma Thompson, Timothy Spall, Louise Bourgoin, Celia Imrie, Tuppence Middleton, Marisa Berenson.
Lançada às escondidas, esta comédia é uma produção do Canal Plus francês que topou assumir o pacote: Emma (uma atriz também querida na França, inclusive porque ela fala a língua, por sinal muito melhor do que aparenta no filme) voltando a trabalhar com o roteirista e diretor Hopkins com quem fez pouco antes aquela comédia meia boca com Dustin Hoffman, Tinha Que Ser Você. A ideia é que praticamente todo o filme foi rodado na França, com magníficas paisagens na Riviera em Cap d´Antibes e Paris, endereçada a nova mina do cinema atual, o público da terceira idade, que tem dinheiro para gastar e gosta de cinema. Em particular dos astros de seu tempo (por exemplo, aqui temos Celia Imrie, que foi vista no icônico Exótico Hotel Marigold).
O problema é simples, o autor das piadas e situações não é muito talentoso, as sacadas são muito sem graça, particularmente na primeira parte ou tentam fazer humor visual, à la Pantera Cor de Rosa (o filme fica mais engraçado ao final, mas ainda assim é preciso curtir a farsa e aceitar Pierce Brosnan, que passa o tempo todo com cara de contrariado ou ausente, nada a vontade). Enquanto Emma deve ter enfrentando uma briga com seu maquiador que nas primeiras cenas deixaram seus pés de galinha à vista, prestem atenção como de certo momento em diante, ela muda o penteado (que agora encobrem parte do rosto e maquiagem mais pesada). Certa ela que emagreceu muito e é uma figura muito querida, lembro particularmente com saudade de algumas entrevistas que ela deu em Cannes, que foram verdadeiros shows de inteligência e humor.
A história tem um ponto de partida até oportuno: Pierce é divorciado de Emma e tem casal de filhos ainda em idade escolar (faculdade) quando ele perde tudo que teria de aposentadoria (ela também claro) porque a firma foi assumida por um grupo Francês que simplesmente detonou tudo. Procurando vingança ou solução, em vez de usarem a inteligência partem para Paris, onde tentam se infiltrar no casamento do vilão (que será com uma bela modelo, a interessante Louise Bourgoin, que estrelou As Múmias do Faraó, de Luc Besson). Há também junto um outro casal amigo, aliás uma situação completamente absurda, formada por Celia e o ótimo Timothy Spall (que foi melhor ator este ano em Cannes por Mr. Turner ).
Enfim, ria se for capaz e Emma, que não volte a cair nas mãos desse diretor incompetente.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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