RESENHA CRÍTICA: O Amor é Estranho (Love is Strange)
Um filme morno, que não dá nem chance de grandes momentos aos atores
O Amor é Estranho (Love is Strange)
EUA, 14. Direção de Ira Sachs Roteiro de Sachs e Mauricio Zacharias. Com John Lightow, Alfred Molina, Marisa Tomei, Charlie Tahan, Cheyenne Jackson, John Cullum, Harriet Harris, Olya Zueva.
Para nós brasileiros a figura mais importante deste filme independente americano é a presença do brasileiro Mauricio Zacharias como co-roteirista. Ele tem uma carreira bem sucedida com êxitos como Madame Satã, O Céu de Suely, Rio Eu Te Amo, mas também Deixe a Luz Acesa (12), ao lado do irregular Trinta (14) e do ainda inédito Montgomery Clift. Este O Amor é Estranho foi indicado ao Independent Spirit e o Satellite.
Aqui se conta uma história bem novaiorquina. São dois homens gays da terceira idade, que se casaram, mas justamente por causa disso faz com que um deles perca seu emprego como professor (antes era tolerado, mas não oficialmente!). Ambos são interpretados por dois grandes atores, John Lithgow (Ben) e o inglês Alfred Molina (George). Mas em Manhattan é muito difícil conseguir alojamento, apartamentos a preços razoáveis e enquanto procuram eles vão se hospedando de favor na casa de amigos, quase como parentes. A princípio vai tudo bem, mas a situação se desgasta gerando conflitos e principalmente mal entendidos com os filhos dos amigos, adolescentes. Pior que isso é que a saúde de Bem está se desgastando.
Nesse gênero de filme sobre gays eu particularmente prefiro Toda Forma de Amor, 10, que deu Oscar® para Christopher Plummer, que era mais divertido, ágil e professoral. Este aqui mais baixo astral parece querer ensinar algo ou simplesmente não quer mergulhar de cabeça nos problemas. Fica um filme morno, que não dá nem chance de grandes momentos aos atores. Mas deve interessar o público alvo.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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