RESENHA CRÍTICA: Amor & Amizade (Love & Friendship)
Este é o retorno de um diretor americano cult, numa adaptação de livro de Jane Austin, endereçada ao público feminino
Amor & Amizade (Love & Friendship)
EUA/Inglaterra, 16. 92 min. Direção e roteiro de Whit Stillman. Com Kate Beckinsale, Xavier Samuel, Chloe Sevigny, Stephen Fry, Tom Bennett, Emma Greenwell.
Este é o retorno de um diretor americano cult, que chegou a visitar o Brasil para promover Metropolin ( 90 e depois Barcelona). Tem um estilo muito particular, mostrando criticamente a alta sociedade de Nova York. Realizou ainda Damsel in Distress, 11, com Greta Gerwig e Adam Brody e antes disso O Último Embalo do Disco (98, ou seja da moda de discoteca), que justamente era estrelado pelo inglesa Kate e a americana Sevigny que ele conseguiu reunir aqui, embora a participação desta última seja relativamente pequena (Kate que começou a carreira na sua terra natal Inglaterra ainda muito jovem, depois acertou na América como estrela da série Anjos da Noite - feita pelo marido Len Wiseman (já se divorciaram) e filmes como Pearl Harbor e O Aviador. Kate passou quatro anos sem trabalhar e voltou quando Sienna Miller desistiu do papel. Rodado basicamente na Irlanda, o filme modesto que teria custado 3 milhões de dólares foi bem, rendendo por volta de 13 milhões.
Desta vez o diretor conseguiu a oportunidade de adaptar uma obra menos conhecida de uma escritora britânica, que se tornou totalmente cult na America, Jane Austen (1775-1817) com seu livro Lady Susan. Ela escreveu, entre outros, Orgulho e Preconceito, Emma, Razão e Sensibilidade, Amor e Inocência e Mansfield Park.
O livro original póstumo era todo narrado através de cartas. A ação se passa em 1790, quando a viúva Lady Susan Vernon vai para a residência de seus parentes para evitar boatos sobre sua vida particular. Mas está preocupada também em conseguir um marido para ela e para sua relutante filha adolescente Frederica. O diretor utiliza alguns detalhes novos para o gênero, por exemplo, cada personagem que aparece é identificado pelo nome e categoria, por vezes também com detalhe sobre sua fortuna ou desvio. Usa também legendas na tela quando se lê uma carta. Mas não espere nada de original.
A história endereçada ao público feminino se passa basicamente numa bela casa, inferior a Downtown Abbey, no que se pode chamar comédia de costumes (embora não haja piadas ou sacadas muito divertidas, com a exceção Tom Bennett como o futuro marido). O galã jovem é o australiano Xavier Samuel esteve na saga Crepúsculo - Eclipse, em Corações de Ferro. Mas quem realmente domina o filme com seu charme e beleza é Kate Beckisale numa personagem forte e interessante.
Ao final, todos os atores são identificados e supõe-se que as aventuras de Lady Susan irão continuar...
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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