RESENHA CRÍTICA: Mercado de Noticias
O gaucho Jorge Furtado, que tem uma carreira brilhante, fez um dos mais originais e inteligentes documentários já feitos no Brasil
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Brasil,14. Direção e roteiro de Jorge Furtado. 94 min. Com Eduardo Cardoso, José Roberto de Toledo, Geneton Moraes Neto, Evandro Soldatelli, Mirna Spritzer, Irene Brietzke, Janaína Kremer, Nelson Diniz, Zé Adão Barbosa, Marcos Contreras, Sérgio Lulkin, Elisa Volpatto e Eduardo Cardoso — e depoimentos de 13 renomados jornalistas brasileiros, como Janio de Freitas, Mino Carta, Raimundo Pereira, Luis Nassif e Bob Fernandes.
Sou admirador confesso do gaucho Jorge Furtado, que tem feito uma carreira brilhante, sem deixar sua cidade Natal, variando entre comédias para cinema (Saneamento Básico), dramas (Meu Tio Matou um Cara), Ó Pai, Ó, clássico de curta-metragem (A Ilha das Flores), séries de TV incluindo a que deu o Emmy para Fernanda Montenegro (Doce de Mãe) e o recente Boa Sorte de Carolina Jabor. Pois é provavelmente o seu filme mais original, uma mistura inusitada de uma peça teatral inglesa do século 17 do escritor Ben Jonson (1572-1637) que justamente descreve os primórdios e regras básicas de como surgia o jornalismo empresarial, dominado por grandes empresas. Foi Jorge quem o traduziu e o encena com grande elenco local, figurinos de época e um bom humor geral.
Só que os eles vão mostrando é entrecortado por depoimentos de muitos jornalistas famosos dos principais veículos, que discutem o presente e o futuro da informação, admitem alguns erros e apresentam até situações absurdas. Na verdade, toda essa discussão não poderia ser mais oportuna em época de decadência dos jornais como os conhecemos, uma transição ainda não bem sucedida para a Internet e onde os velhos meios de pressão dos políticos ainda continuam a prevalecer. Sempre tenho me queixado dos documentários nacionais, são quase sempre confortavelmente ao lado do óbvio e fugindo da polemica. Não é o caso aqui. Sem duvida, um dos mais originais e inteligentes documentários já feitos no Brasil.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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