RESENHA CRÍTICA: Os Últimos Dias no Deserto (Last Days in the Desert)
Embora mais sério do que os filmes voltados para o mercado religioso, não vejo por que perder tempo com este
Os Últimos Dias no Deserto (Last Days in the Desert)
EUA, 16. Direção de Rodrigo Garcia. Com Ewan McGregor, Ciarin Hinds, Arlet Zwer. Tye Sheridan.
Acredito que haja um público religioso que gostaria de assistir filmes sobre o tema, mas eles são raros e raramente satisfazem o espectador. Vide a besteira que foi o novo Ben Hur! Ao menos eu fiquei chocado com aquele que mostrava um menino que teria conversado com Jesus ao sofrer acidente e ir ao céu, que foi sucesso de bilheteria. Só para descobrir depois que o garoto tinha inventado toda a história. Pura vigarice. Este aqui é um caso diferente porque é mais sério, feito pelo filho do escritor latino de Cem Anos de Solidão e estrelado pelo sempre interessante ator Ewan McGregor (e ainda por cima fotografado pelo mexicano duas vezes seguidas vencedor do Oscar Emanuel Lubeski). E inteiramente rodado num deserto da Califórnia.
Mesmo assim não é nada memorável. Já encontramos aquele que seria Jesus no fim da sua temporada de meditação e sofrimento no deserto, com muito menos impacto do que outros sobre o mesmo tema. Ele tem contato com uma família que esta lá também em penitencia formada por mulher que esta muito doente, o chefe (Ciaran Hinds, um dos meus atores menos preferidos) e um adolescente (Tye Sheridan, que é um dos X Men recentes). Nada de muito concreto ou bonito, ou chocante ou importante vem a acontecer. Não vejo por que perder tempo. É verdade que os filmes neste ano de 2016 estão mesmo de amargar, mas há noticias de os melhores da temporada estarão começando a chegar... Já não era sem tempo...
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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