Outro Classico Revisitado por Schwartsmann

Gilberto Schwatsmann especializou-se em fazer umas especies de ensaios sobre literatura em versos

16/02/2026 05:01 Por Eron Duarte Fagundes
Outro Classico Revisitado por Schwartsmann

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Gilberto Schwatsmann especializou-se em fazer umas espécies de ensaios sobre literatura em versos. Odisseu, o herói humano da Odisseia (2025) vai buscar na remota e quasse mítica Odisseia do grego Homero sua inspiração para contar dos destinos do homem, ontem como hoje.

“Imitar Homero é o  que quero, / Cuja obra colossal / Narra a saga de Odisseu, / Não um deus, um homem normal / Que em Troia luta dez anos / E outros dez em mares diluvianos.”

Gilberto reconta a saga de Homero com sua lente do século XXI. Ele o fizera antes com o italiano Dante e sua Divina Comédia, o cume da literatura medieval, pré-renascentista. “De imitar o poeta — sem ter a mesma capacidade.” Na verdade, Schwartsmann não é o imitador que ele próprio se  diz nem tem as limitações de capacidade a que alude, embora seus modelos, Homero ou Dante, sejam excelsos demais para os propósitos de nossa contemporaneidade.

Se Homero foi poeta, uma crítica poética se faz necessária para o iluminar. Não somente a poética como elemento de essência, no uso da linguagem, no valer-se de metáforas sinuosas, mas uma poética da forma — dos versos, de sua estrutura versejada. “Não é decassílabo,/ Tampouco é redondilha, / Nem é próximo do alexandrino: / Como os ossinhos dos dedos, / Uma sílaba longa e duas curtas, / Marca o épico greco-latino.” E faz uma aguda observação para dizer da epopeia de Homero: “Para resumir numa frase / O que representa a Odisseia, / Eu diria que ele descreve / A travessia de um homem / A lamber suas próprias feridas / Pelas veredas da vida.”

Nos meandros e artimanhas da imaginação de um helênico antigo, Schwartsmann faz mais uma bela visita de arqueologia literária cujos significados atuais se moldam na pena de um autor de hoje que às vezes parece mover as palavras como um bailarino desenha passos musicais com seus pés.

 

(Eron Duarte Fagundes – eron@dvdmagazine.com.br)

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Sobre o Colunista:

Eron Duarte Fagundes

Eron Duarte Fagundes

Eron Duarte Fagundes é natural de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, onde nasceu em 1955; mora em Porto Alegre; curte muito cinema e literatura, entre outras artes; escreveu o livro ?Uma vida nos cinemas?, publicado pela editora Movimento em 1999, e desde a década de 80 tem seus textos publicados em diversos jornais e outras publicações de cinema em Porto Alegre. E-mail: eron@dvdmagazine.com.br

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