RESENHA CRÍTICA: A Melhor Escolha (Last Flag Flying)
O diretor fica devendo uma maior emoção, maior impacto do que a mera contemplação de três grandes atores em plena forma
A Melhor Escolha (Last Flag Flying)
EUA, 17. 125min. Direção de Richard Linklater. Com Bryan Cranston, Steve Carell, Laurence Fishburne, Cicely Tyson, Deeana Reed-Foster, Yul Vasquez, Dontez James. Roteiro de Linklater Baseado em Livro de Darryl Ponicsan.
Até agora esquecido pelas premiações, esta produção da Amazon Studios traz um trio de grandes atores em grande forma e o prestígio do diretor Linklater (que ganhou o Oscar duvidoso de Boyhood, da Infância a Juventude, 14. Vá entender porque. Embora um pouco alongado e lento, é uma historia humana sobre homens de meia idade (e por isso vai interessar basicamente aos mais velhos) bem estruturada e dirigida. Diz o diretor que ele se inspirou num outro filme-livro do autor Ponicsan (famoso por Cinderella Liberty) especialista em temas sobre os Fuzileiros Navais-Soldados, e principalmente no filme The Last Detail (A Áltima Missão, 73, do falecido Hal Ashby). Uma pequena que o filme esteja completamente esquecido porque é potente e divertido, mostrando como dois fuzileiros acabam ajudando um soldado (Randy Quaid) que está para ser preso. Claro que ajudava muito a presença carismática de Jack Nicholson. O diretor diz ser uma continuação “espiritual” daquele filme (foi rodado em Pittsburgh, Pensilvânia).
A semelhança com o filme atual é mais simbólica do que realista. Carell (cada vez melhor) faz o pai de um rapaz muito jovem fuzileiro que morreu na luta armada no Iraque a serviço de sua pátria. Viúvo, meio perdido, ele vai procurar a ajuda de dois antigos parceiros de guerra anterior, a do Vietnã: o dono de um bar (Cranston, exuberante) e um pregador religioso (Fishburne, muito eficiente). Depois de certa relutância, eles vão ajudar e acabam se chocando com os ritos e burocracias do governo para liberar o corpo. Não chega a ser um filme muito popular e não rendeu nem um milhão de dólares. Além de trazer uma aparição do maior atriz viva negra de Hollywood, Cicely Tyson, dá para sentir que é um projeto pessoal do realizador.
Os filmes mais recentes sobre a Guerra no Iraque tinham mais ação e outra perspectiva. Aqui é basicamente sobre três amigos (e um soldado que entra depois) que discutem, relembram, quase que brigam, mais um show dos atores, do que propriamente do texto ou dramaturgia. O diretor fica devendo uma maior emoção, maior impacto do que a mera contemplação de três grandes atores em plena forma. Mas não será o bastante?
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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