RESENHA CRÍTICA: A Grande Escolha (Draft Day)

Mais um filme fraco de Kevin Costner, com poucos atrativos para o público nacional

22/05/2014 12:27 • Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CR�TICA: A Grande Escolha (Draft Day)

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A Grande Escolha (Draft Day)

EUA, 14. Direção de Ivan Reitman. Com Kevin Costner, Jennifer Garner, Frank Langella, Tom Welling, Terry Crews, Sean Combs, Ellen Burstyn, Dennis Leary, Chadwick Boseman, Rosana Arquette, Sam Elliott, Kevin Dunn.118 min.

 

Falava-se muito no retorno de Kevin Costner ao estrelato depois do sucesso de sua série de TV sobre os “Hatfields e McCoys”. Mas não esta dando certo porque este é o seu terceiro fracasso consecutivo (não passou dos 27 milhões de dólares de renda nos EUA e aqui não vai pagar nem a conta da luz!). E o seu filme anterior que era razoável (3 Dia para Matar) sai direto em Home Video (o outro fracasso inesperado foi o também razoável, Operação Sombras Jack Ryan, o que nos faz pensar que Mr. Costner simplesmente esta sendo rejeitado como carta antiga fora do baralho).

Mas como este filme aqui não havia remédio, é um filme sobre futebol americano lançado em época de Copa do Mundo do nosso futebol. Só que não tem “football”, é sobre um dia desse esporte aonde há uma espécie de venda dos jovens jogadores que são comprados pelos times que necessitam de craques. Pelo menos foi o que deu para entender porque para brasileiro que desconhece as regras e os costumes desse esporte, é como ver um filme chinês sem legendas, não tem pé nem cabeça.

Dá a impressão de que a intenção foi embarcar no sucesso de Moneyball - O Homem que Mudou o Jogo de Brad Pitt que mostrava a dificuldade de se escolar um time, mas no caso de beisebol. O futebol deles é muito mais complexo e prejudicado por um filme muito mal roteirizado, centrado em apenas um dia na vida de Costner, que faz o herdeiro de um time (cabe a dúvida que tenha sido erro do diretor Ivan Reitman, que é conhecido por suas comédias, tipo Caça Fantasmas ou Irmãos Gêmeos e deve ser fã do esporte e isso o deixou cego para as falhas do script). Não é sobre os jogadores, mas a tensão e dificuldade das pessoas que tomam as decisões por trás deles, os cartolas. Com certeza pensaram em Costner porque ele tem uma antiga tradição de estrelar filmes sobre esporte, em particular beisebol.

Ele faz um certo Sonny Weaver Jr que teve que assumir a posição de seu pai que General Manager dos Cleveland Browns.  Ele irá participar da cerimônia de Draft (recrutamento para ser a melhor tradução). Sofre todo tipo de pressões, desde do dono do time (o sempre ótimo Frank Langella) até do treinador (Denis Leary) para fazer as escolhas certas. Pressionado também por jogadores (e tem uma ponta curiosa de Tom Welling, de Smallville, que aparece moreno e barbudo, quase irreconhecível, com certeza procurando dar nova vida a sua carreira).  Mas o roteiro ainda por cima faz suceder naquele mesmo momento duas crises, uma confusão com a mãe (Ellen Burstyn) por causa das cinzas do pai e a notícia que lhe traz a namorada (Jennifer Garner) de que esta grávida. Costner naturalmente se comporta com a frieza (ou será “cool”) habitual e o filme é um quebra cabeça ainda menos compreensível do que o atual Sob a Pele de Scarlett Johansson (que ao menos pretende ser herdeiro de David Lynch).

Apesar do elenco interessante tudo resulta num equivoco que só comprova a teoria de que os únicos filmes de esporte é que dão certo são sobre o boxe!

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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