RESENHA CRÍTICA: Um Dia (Egy Nap/One Day)
Um retrato de mulher, muito duro, muito real, nada leve ou comercial. Claro é que justamente aí que esta sua sensibilidade e revelação
Um Dia (Egy Nap/One Day)
Hungria, 2018. 99 min. Com: Zsófia Szamosi, Leo Füredi e Ambrus Barcza. Direção: Zsófia Szilágyi.
Não sei se vocês compartilham meu sentimento. Há filmes difíceis, lentos, amargos, discretos, que não tem leveza ou válvula de escape. E logicamente não são norte-americanos nem musicais! Barra pesada sim e por isso nem sempre são descobertos. Eu confesso que eu lutei contra o cansaço e até uma possível sonolência ao assistir este raro filme húngaro que conforme o próprio titulo afirma: Um Dia! E tão delicado que só poderia ter sido dirigido por uma mulher Zsófia Szilagy. Que antes era assistente de direção e tinha feito apenas documentários (e poucos). Este aqui lhe deu o premio da Semana da Crítica de Cannes, este ano mesmo. Basicamente é muito simples, a ponto de incomodar. Como explica a sinopse: Anna, mãe de três filhos, está sempre correndo: do trabalho para o berçário, a escola, o balé, a aula de esgrima. Como se não bastasse, suspeita que está sendo traída pelo marido. Seus problemas são bastante comuns, mas Anna simplesmente não tem tempo para parar e refletir sobre eles, que se acumulam continuamente, ameaçando esmagá-la. Ela precisa ter muita energia para seguir em frente. Ou seja, um retrato de mulher, muito duro, muito real, nada leve ou comercial. Claro é que justamente aí que esta sua sensibilidade e revelação.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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