OSCAR 2017: O Vexame do Século

Rubens Ewald Filho comenta o que de fato ocorreu no erro histórico do Oscar 2017

02/03/2017 21:58 Por Rubens Ewald Filho
OSCAR 2017: O Vexame do Século

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Desde quando eu era criança e começaram a transmitir o Oscar® para o Brasil, ainda na TV Excelsior, e comentado por Bibi Ferreira. A gente assistia com espanto a chegada de dois executivos de uma firma especializada em segurança que chegavam segurando uma mala preta que garantiam que eram onde estavam os mais que secretos votos da premiação do Oscar®. E a gente ficava fascinado, poxa vida, existe alguma coisa no mundo que é secreto. Que nunca saberemos o resultado em detalhes (por quantos votos ganhou ou perdeu?). Na verdade essa é que era a razão da importância do Oscar® diante dos concorrentes: o absoluto segredo que não foi nunca revelado nesses 89 anos pela firma Pricewaterhouse Coopers (escreve-se assim tudo junto!). Era o segredo mais bem guardado, ao menos do mundo do entretenimento (supondo-se sempre que os votos seriam incinerados logo depois!).

Até que agora nessa terra do Trump tudo veio por água a baixo, parece que por causa de um executivo vaidoso que quis participar de perto da festa e, embora fosse proibido, tirando fotos das celebridades para poder colocar no seu Twitter. O que é a vaidade humana! As fotos já foram tiradas do ar, mas ainda assim sobraram algumas que demonstram que certas coisas não podiam acontecer. Não apenas a confusão que se criou por vários minutos no palco, onde ninguém sabia direito o que fazer e onde os pseudo vencedores chegaram a se passarem de tontos, agradecendo um prêmio que depois foi lhes tirado das mãos. E temos ainda detalhes que vieram a piorar a situação, ou seja, a superorganização era uma mentira, um blefe. Por exemplo, quando passou a homenagem aos falecidos houve um engano, puseram o nome de uma profissional com a fotografia de outra que esta ainda viva! E o que é ainda pior, a Academia levou dois dias para descobrir isso e pedir desculpas públicas. O fato é que não podiam deixar tanto tempo as pessoas sendo humilhadas e perdidas, incluindo mesmo o apresentador do show que na hora estava sentado na plateia com o amigo Matt Damon.

E pior que isso foi a vontade inicial de culpar os apresentadores, nem tanto Faye Dunaway, que escapou correndo daquilo tudo, mas de Warren Beatty, ilustre figura da Academia, irmão de Shirley MacLaine, que dois dias depois ainda exigia o pedido de desculpas da Academia, o que não havia ocorrido. Será que não foi preconceito da própria academia porque ele já está velho, com cerca de 80 anos, e acharam que era gagá – na verdade, ele tem uma fama de nunca concluir frases e de enrolar na conversa, mas isso desde jovem!.

Ou seja, o que podia ser um final de homenagem a um clássico do cinema esquecido - o notável e importantíssimo Bonnie e Clyde - acabou virando uma cena de circo, me parece que ainda pior do que sucedeu ano passado no concurso de Miss Universo, onde o culpado foi apenas o apresentador comediante. A impressão de que eles estavam tão cheios de orgulho e pretensão, satisfeitos com o sucesso do resultado da absorção dos negros nos prêmios, ainda assim foi um absurdo e ridículo deixar de premiar uma lenda do cinema como se tornou Denzel Washington em sua melhor interpretação de sua carreira com Fences e no lugar votar no duvidoso Casey Affleck, ainda mais quando todo mundo tentava esconder o fato de que ele também foi processado por duas mulheres por abuso sexual. E pagou dois milhões de dólares por isso em troca do silencio delas! Esse é o grande herói da noite!

O grande fiasco fica por conta deste executivo chamado Brian Cullinan, cuja vergonha passa para a história e que no mínimo já devia ter sido mandado embora, despedido imediatamente. Ou seja, não apenas foi um momento patético e o pior de todos os quase noventa anos da academia. O pior é que coloca em risco a lenda e o mito, mostrando mais uma vez que o “rei está nu” como demonstra a velha fábula.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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