OSCAR 2017: Loving - RESENHA CRÍTICA
Uma história é ótima e verdadeira, um dia ainda pode virar um grande filme. Mas teve errada indicação de melhor atriz
Loving
EUA, 2016. 2h3min. Direção e Roteiro de Jeff Nichols. Com Ruth Negga, Joel Edgerton, Will Dalton, Dean Munford, Terri Abney, Alano Miller.
Há algum tempo que está se criando uma falsa fama e qualidade em torno da obra deste diretor Nichols, aqui também roteirista, que começou com o pouco conhecido Separados pelo Sangue (Shotgun Series,07, o primeiro de uma série de trabalhos com o ator Michael Shannon que virou um de seus preferidos e este ano foi indicado como coadjuvante por causa de Animais Noturnos e parece evidente que ele em breve levara um Oscar para casa!). Depois Nicholas fez O Abrigo (Take Shelter, 11) novamente com Shannon (e os críticos entoaram loas!), Amor Bandido (Mud, 12), mais descartável com Matthew Mc Conaughey, Destino Especial (Midnight Special, 16, novamente com Shannon e agora Joel Edgerton deste filme atual.
Uma pena que este novo trabalho tenha sido um enorme fracasso de bilheteria (não conseguiu chegar ate agora em 8 milhões de renda quando custou 9! Foi tão mal que é o único longa importante que nem estreou aqui para o Oscar. Simplesmente por causa de seu roteiro inócuo, direção distanciada e elenco passivo. Lamentável porque a história é ótima e verdadeira, e um dia ainda pode virar um grande filme. Conta-se a história real de Richard e Mildred Loving, um casal interracial que se ama, ele é negra, ele loiro que desafia o governo quando se casa, embora fosse proibido por lei um casal de raças diferentes! Imagina o absurdo e quanta coisa poderíamos discutir caso o filme não fosse tão passivo e destacar Ruth Negga não tivesse sido tão errado.O caso de 1924 só foi modificado pela Corte Suprema americana em 67 dizendo que essa decisão era anticonstitucional. Um pouco tarde não? Ridiculamente tarde... Enfim, o filme fica pior porque ele é baseado num documentário que abordava o assunto com mais precisão e coragem (se chama The Loving Story, 11) de Nancy Buirski.
Essa moça nasceu na Etiópia e tem um lado diferente, que precisa ser bem trabalhado. Já esteve em alguns filmes de qualidade discutível, o bom Guerra Mundial Z, o esquisito e recente Warcraft (que fez sucesso no Oriente e China em particular, na delirante série de TV The Preacher, série de TV dos Agentes da Shield). Seu exotismo poderia render mais do que esta errada indicação de melhor atriz. Pior está o australiano Joel e Nicholas, não é a pessoa indicada para este tipo de dramaturgia.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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