OSCAR 2017: O Apartamento (Forushande) - RESENHA CRÍTICA
Indicado para Filme Estrangeiro, é o favorito na categoria
O Apartamento (Forushande)
Irã, 16. 2h23 min. Direção de Forusha Farhadi. Com Shahab Hosseini, Taraneh Alidoosti, Babak Karimi,
Apesar de toda prisão e exílios (dos diretores mais famosos) e a continua repressão no Irã, o cinema iraniano continua sobrevivendo miraculosamente e ate fazendo sucesso como é o caso raro deste diretor Forusha Farhadi, que foi indicado ao Oscar de filme estrangeiro em 2012, com A Separação (que ate foi melhor filme do Festival do Amazonas). Urso de Prata em Berlim, roteiro e Ecumênico em Cannes. Ele fez outros bons filmes como A Procura de Helly, 11, O Passado, 13. Apesar de sua excessiva metragem, ele tem um estilo muito simples, direto, naturalista. Sabendo criar clima e manter o interesse no que a gente sabe não será uma grande descoberta (já que a censura continua atenta e perniciosa) ou escandalosa revelação.
Também em momento algum cai no excessivo, na caricatura, deixando a critica social muito discreta. É sobre um apartamento em Teheran que parece estar desmoronando e atingindo seus moradores. O protagonista Emad (Hosseini, que tem quase 50 créditos no seu currículo e trabalha pela terceira vez em longa do diretor), tem uma figura sóbria, discreta, nunca caricatural e fácil de nos convencer. Ele é um professor de escola (novamente discreta) que vive na família justamente na cobertura do prédio que esta prestes a se destruir. Também tem outra profissão curiosa, é ator e pelo jeito também diretor de peças de teatro como A Morte do Caixeira Viajante, de Arthur Miller, que esta terminando de ensaiar com sua mulher no papel principal. O problema é que ela está tendo dificuldades não apenas com o texto mas com o apartamento rachado e uma estranha invasão no lugar, que a deixou machucada e frágil. Aos poucos vai se resolvendo o enigma que no final das contas não tem muito de escandaloso, ao contrário é muito humano, quase patético. Enquanto uma mulher que seria um tipo de prostituta é chamada “mulher de muitos homens”.
Naturalmente não espere grandes conflitos e resoluções mas o diretor tem o dom de saber contar uma história, de tirar o mais sincero dos seus atores, o que o confirma como o mais importante realizador iraniano do momento. O filme foi indicado ao Oscar.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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