RESENHA CRÍTICA OSCAR 2016: Cinco Graças (Mustang)
Como a Turquia tem estado com frequência nos noticiários por causa de conflitos com kurdos e russos, a gente se espanta menos com este drama
Cinco Graças (Mustang)
França, Turquia, 15. 97 min. Direção de Deniz Gamze Erguven. Com Gunes Sensoy, Doga Zeynep Doguslu, Elit Escan, Tugba Sungurogiu, Ilayda Akdogan.
Selecionado como finalista de filme estrangeiro no Globo de Ouro e candidato ao Oscar, este filme é um caso estranho de uma história totalmente turca que é um filme francês e mesmo assim a Academia o aceitou para representar a França este ano! Ganhou também em Cannes um prêmio especial para filme europeu. E descoberta do ano no Europeau Film Award. O Liberdade de Expressão do National Board of Review. Também finalista no Independent Spirit Award. E prêmios variados em Valladolid (levou tudo), Thessalonik, roteiro em Estocolmo, Sevilha, Sarajevo (filme e atrizes), Sakhalin, Filadélfia, Hamburgo, Odessa.
Como a Turquia tem estado com frequência nos noticiários por causa de conflitos com kurdos e russos, a gente se espanta menos com este drama que os americanos quiseram comparar com As Virgens Suicidas, o melhor filme de Sophia Coppola. Passa-se numa remota região do país, na vila de Kastamonou, norte do país, e narrado por Lale, a mais jovem das cinco irmãs, que tem que aceitar seu destino e futuro, com casamentos arranjados pela família. É interessante também não ser um dramalhão óbvio, mas um filme doce e até ha momentos engraçados. Apesar do nome é dirigido por uma mulher, atriz, formada pela Fémis e que antes tinha realizado apenas curta metragens. Certamente feminista nunca pesa na mensagem, apenas retrato os fatos de maneira bem poética, muito ajudado por um elenco encantador (aliás o título nacional se ajusta a isso). Houve outros filmes sobre o tema que acabavam sem conclusão ou mal. Aqui ao menos deixa uma esperança...
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
relacionados
últimas matérias