RESENHA CRÍTICA: Invasão de Privacidade (I.T.)
O antigo James Bond, o elegante e irlandês Pierce Brosnan, continua ganhando a vida graças ao prestigio do personagem com outro filme de ação mediano
Invasão de Privacidade (I.T.)
Irlanda, França, EUA, 16. 95 min. Direção de John Moore. História de John Kay. Com Pierce Brosnan, Jason Barry, Karen Moskow, Kay Rissdall, Brian F. Murray, Martin Hindy, Anna Friel e Stefanie Scott.
O antigo James Bond, o elegante e irlandês Pierce Brosnan (nascido em 1953), continua ganhando a vida graças ao prestigio do personagem com outro filme de ação mediano, com orçamento de 12,5 milhões de dólares feito pelo diretor John Moore (é do segundo ou terceiro time, mesmo tendo feito Duro de Matar: Um Bom Dia para Morrer, a refilmagem de Voo da Fênix, Atrás das Ilhas Inimigas e o mais recente e ruim A Profecia).De qualquer forma, sem ser um filme classe A, prende a atenção (embora custe a começar) e acaba lembrando outros do mesmo gênero e estilo. Certamente é “dejá vu”, totalmente previsível. Mas dá para assistir sem aborrecimento. E Mr. Brosnan, tem alguns momentos razoáveis como ator, embora envelhecido e com um personagem pouco brilhante para seu status de super milionário (ele leva dias para sacar a trama que ele mesmo deixou criar, não dá o menor sinal da inteligência que o transformou em milionário). A ficha só vai cair nos 15 minutos finais e antes disso ele é obrigado a pedir ajuda. Enfim, vamos explicar melhor.
Brosnan é dono de uma companhia de aviação que está prestes a lançar novo tipo de tecnologia, mas lhe falta capital para finalizar o projeto. Numa conversa casual, com um rapaz, descobre que ele é um técnico da mais moderna tecnologia. Incauto, leva o tal de para conhecer sua casa e este instala tudo que há mais de moderno e seguro (só que inseguro para o dono, já que o estranho com conversa fiada, é que passa a ter controle do lugar a ponto de fotografar a filha de Brosnan tomando banho). A brincadeira vai ficando mais feia (e o grande milionário é burro o suficiente para comprar briga com o técnico) e a situação vai se complicando obrigando a contratar um outro técnico mais velho e experiente (feito por um ator mais experiente).
Na parte final ele naturalmente é obrigado a assumir a situação, mas essa altura sua reputação de Bond já foi por água a baixo. Insisto apesar de ter reclamado de tanta coisa, que o filme não irrita tanto. Talvez funcione melhor na TV ou nas plataformas tipo Now.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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