RESENHA CRÍTICA OSCAR 2016: Joy: O Nome do Sucesso (Joy)
Não parece ser um filme para ganhar Oscar. É relativamente curioso e original, além de Jennifer, que é a graça de sempre
Joy: O Nome do Sucesso (Joy)
EUA, 15. 124min. Direção de David O. Russell. Roteiro de Russell, baseado em história de Russell e Annie Mumolo. Com Jennifer Lawrence, Robert DeNiro, Bradley Cooper, Diane Ladd, Virginia Madsen, Isabella Rosselini, Edgar Ramirez,Susan Lucci, John Enos, KenOw Howard, Drona DeNIro, Donna Mills.
Indicado ao Globo de Ouro de comédia e atriz Jennifer Lawrence, que levou o prêmio, este é o quarto filme de Jennifer com Bradley Cooper (que só aparece depois de 50 minutos), o terceiro com o diretor Russell e segundo com Robert DeNiro. Mas é difícil de classificar, não é bem comédia, muito menos drama. Parece que o diretor estáa se esforçando em criar humor numa história real. Principalmente na primeira meia hora, dá a impressão de não saber direito o que contar, é uma biografia, um retrato de mulher, um amalgama de mulheres mal resolvidas (a mãe da heroína, por exemplo, não sai nunca de uma cama onde passa o dia assistindo telenovelas. Aliás essa novela faz o contraponto da história principal (não se entende muito porque, mas já começa com uma novela em preto e branco, sempre interpretado por estrelas do gênero, com aparência de veteranas).
Esta seria a história de Joy Mangano, uma americana descendente de italianos que depois de perder o emprego e a paciência com o pai (DeNiro) e o ex-marido (o ator venezuelano Edgar Ramirez), decide investir no que se chama Miracle Mop, uma vassoura de limpar o chão. Se tornou presidente de firma chamada Ingenious Designs e apareceu muito num canal de Shopping nos EUA chamado HSN. Formada na Pace University, Mangano tem hoje mais de 100 patentes de invenções. Por alguma razão, aparentemente porque foi casada com um músico venezuelano, Jennifer tenta falar (mal) o espanhol, mas há alguns interlúdios musicais (um bonitinho com a musica de Sinatra, Something Stupid, que ela canta uma estrofe) e logo no começo Ramirez começa um trecho de Águas de Março de Jobim.
O filme melhora um pouco quando Joy vai trabalhar no canal de Shopping (onde esbarra com Joan Rivers interpretada aqui pela própria filha dela, Melissa Rivers) e acaba sendo vendedora com um visual brega imposto pelo chefe (Bradley). Mas ainda assim não parece ser um filme para ganhar Oscar. É relativamente curioso e original, além de Jennifer, que é a graça de sempre. Mas não tem nada de apaixonante e nem sequer é empolgante. Sua maior qualidade seria contar uma história feminista, que enfrenta todo tipo de problema (inclusive com um pai trapalhão e uma irmã que concorre com ela).
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
relacionados
últimas matérias