ESTREIAS DO MES - NOS CINEMAS E NO STREAMING

Confira que tem muita coisa boa para assistir

04/05/2026 04:28 Por Felipe Brida
ESTREIAS DO MES - NOS CINEMAS E NO STREAMING

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A voz de Deus

Exibido em première no Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, onde ganhou o prêmio de edição, e depois no Festival de Brasília e na Mostra Internacional de Cinema de SP de 2025, o documentário do diretor de “A flecha e a farda” (2020), Miguel Antunes Ramos, escrito por ele e pela premiada cineasta Alice Riff (diretora de “Meu corpo é político”), estreou na semana passada em cinemas selecionados do Brasil. O filme é um estudo sobre religião e mídia em um país dividido pela política. Ramos faz um olhar íntimo sobre o universo dos pregadores mirins evangélicos, trazendo para a pauta duas personalidades midiáticas: Daniel Pentecoste, que nos anos 2000 se tornou o pregador infantil mais famoso do país, numa época em que as redes sociais engatinhavam, e João Vitor Ota, fenômeno das redes sociais que reúne atualmente milhares de seguidores no TikTok e Instagram. Daniel, duas décadas depois, sente hoje o peso do passado, principalmente a cobrança do pai, que se envolveu com política (defensor ferrenho de Bolsonaro) e queria o filho ativo nas pregações. Daniel se afastou dos holofotes e segue outras formas da espiritualidade, desafiado a se reinventar após o fim da fama precoce – segundo ele, vive agora uma nova forma de relação com a igreja, afirmando que sua fé permanece viva, mas sustentada menos pela rigidez dogmática e mais pela mensagem de amor do evangelho. Já João está no auge da visibilidade digital, ostentando nas redes. A reflexão envolve a relação de religião, mídia e política no Brasil, ainda mais quando essas figuras são crianças e adolescentes, expostas à espetacularização das plataformas, no caldo da cultura do “show do eu” (como expôs a antropóloga argentina Paula Sibilia). Filmado ao longo de cinco anos, o longa cruza a trajetória de Daniel e João por meio de vídeos antigos e depoimentos atuais num paralelismo entre as duas faces das pregações religiosas no mundo evangélico. Continua nos cinemas pela Embaúba Filmes.

Thelma

Comédia de ação sensível com mais um trabalho memorável da carismática atriz June Squibb, que transforma uma história pessoal em reflexão sobre envelhecimento, autonomia e afeto. June tinha 94 anos quando fez o filme (que é de 2024), demonstrando vitalidade em um papel que diverte e emociona. Ela é um caso à parte: trabalhou a vida inteiro no teatro e só foi aparecer no cinema na década de 90, com mais de 60 anos de idade. Em “Thelma”, June interpreta a protagonista, uma senhorinha que está aprendendo a manejar a tecnologia. Ela começa a usar o celular e o computador para os afazeres do dia a dia: pagar contas, enviar email, conversar com parentes. Um dia, cai em um golpe telefônico, acreditando que mandou dinheiro para o neto, e perde U$ 10 mil. Desesperada com o ocorrido, ela vai por conta própria atrás dos falsários para recuperar a grana, embarcando em uma jornada improvável pela cidade de Los Angeles. O roteiro equilibra humor e melancolia ao explorar duas situações da personagem central: como ela é infantilizada pela família e a vulnerabilidade dos idosos frente à tecnologia - mas a protagonista se impõe e demonstra capacidade de agir por conta. Josh Margolin, o diretor e roteirista que aqui estreou em longa-metragem, inspirou-se em sua avó para conceber Thelma Post, uma idosa espirituosa, ao mesmo tempo irônica. Outros personagens se destacam na história, como o neto dela (papel de Fred Hechinger, de “O pálido olho azul”), a filha (Parker Posey, de “Pânico 3”) e um velho amigo, que empresta uma scooter motorizada para Thelma percorrer a cidade - interpretado por Richard Roundtree, o Shaft do cinema, em seu último filme (ele faleceu logo após as gravações, em outubro de 2023). Exibido nos festivais de Sundance, Miami e Cleveland, foi indicado ao Critics Choice de melhor comédia e ao Film Independent Spirit Awards de melhor atriz para June. Acaba de entrar no catálogo da Netflix.

Caminhos do crime

Elegante thriller de assalto (nos Estados Unidos chamado de “Heist movie”) que traz um olhar sobre poder e lealdade. É uma adaptação do romance de Don Winslow, escritor norte-americano que tem diversos livros na lista dos mais vendidos do The New York Times, com roteiro e direção de Bart Layton – o trabalho anterior dele foi justamente um filme policial de assalto, “Uma aventura perigosa” (2018). Ambientado em Los Angeles, o longa traz Mike Davis (Chris Hemsworth), um ladrão meticuloso que realiza assaltos ao longo da rodovia 101, extensa via norte-sul da Califórnia que tem mais de 2400 quilômetros. Ele rouba joias, dinheiro e objetos valiosos. Seus passos cruzam com Sharon Colvin (Halle Berry), corretora de seguros em crise pessoal, e com Lou Lubesnick (Mark Ruffalo), detetive obstinado que percebe um padrão nos crimes e decide capturá-lo. O roteiro é um jogo dramático intenso de caçada a um bandido audacioso, em que cada personagem lida com dilemas morais que ultrapassam a lógica da polícia X ladrão. Layton imprime ao filme uma estética que lembra elementos de “Fogo contra fogo”, de Michael Mann, apostando em uma série de situações perigosas aos personagens (que utilizam disfarces para se infiltrar e cometer crimes) e sequências de perseguição que transformam Los Angeles em um espaço alucinante. O elenco é um dos pontos altos: Hemsworth está bem como o bandido contido e até carismático, Ruffalo encarna um investigador obsessivo, e Berry, sumida das telas, traz densidade emocional à única personagem feminina da trama. Há ainda Barry Keoghan, ótimo na pele de um criminoso impulsivo, Nick Nolte, como o veterano chefe do submundo, e participação especial de Jennifer Jason Leigh. A longa duração (140 minutos) não atrapalha o sabor do movimentado filme, que empolga e surpreende (confesso que tenho um fraco por filmes de assalto, e este me chamou a atenção por fugir do padrão, ser estiloso e vibrante). Dos estúdios MGM, passou nos cinemas brasileiros em fevereiro deste ano, com distribuição pela Sony Pictures, e agora está disponível no catálogo do Prime Video.

Parque Lezama

O veterano cineasta argentino Juan José Campanella, do ganhador do Oscar “O segredo dos seus olhos” (2009), lançou no início do mês seu novo trabalho, uma produção da Netflix que mistura comédia e drama e é inspirada na peça da Broadway da década de 80 “Eu não sou Rappaport”, de Herb Gardner. A simpática história é sobre dois idosos que se conhecem no banco da praça do Parque Lezama, em Buenos Aires (na peça original a ambientação é no Central Park), e ali ficam um dia inteiro conversando sobre o passado, a carreira, a velhice, bem como filosofias de vida, política e projetos para o futuro. Eles são León Schwartz (Luis Brandoni), um ex-militante comunista de temperamento agitado, e Antonio Cardozo (Eduardo Blanco), um senhor pacato, com Parkinson, que evita confrontos. O filme todo é naquela praça, com dois personagens trazendo memórias e discussões acaloradas, desde o raiar de um dia de sol até o anoitecer. A diferença entre eles gera atrito, mas também cumplicidade, revelando como visões de mundo contrastantes podem se complementar. Figuras passageiras cruzarão por ali, alguns em busca de conexão, outros com segundas intenções (como trombadinhas), mas nada abalará a força do encontro dos dois idosos solitários. Rodado no charmoso Parque Lezama, localizado no bairro histórico de San Telmo, em Buenos Aires, o filme se desenvolve nos diálogos da dupla de atores – o longa tem formato teatral, como muitos diálogos, elenco enxuto e apenas uma ambientação. É, em essência, uma reflexão sobre amizade, envelhecimento e persistência dos sonhos, caprichadamente conduzida por um dos melhores diretores da atualidade da Argentina. O ator Eduardo Blanco, de “Clube da lua” (2004), está ótimo (envelheceram seu personagem com maquiagem e cabelo), assim como o veterano Luis Brandoni dá um show (foi seu último trabalho no cinema, ator de uma centena de filmes argentinos, que faleceu semana passada, no dia 20 de abril, aos 86 anos). Aliás, a Argentina perdeu em abril três figuras expressivas do cinema: além de Brandoni, faleceram os diretores Luis Puenzo, de “A história oficial” (no dia 21, aos 80 anos), e Adolfo Aristarain, de “Lugares comuns” (falecido ontem, dia 26, aos 82 anos).

Veneno para as fadas

Do fim da pandemia para cá, nos últimos quatro anos, as distribuidoras viram uma janela de oportunidade para lançar, nos cinemas, filmes clássicos em versões restauradas, uma maneira de atrair tanto o cinéfilo para as salas quanto apresentar títulos de outrora para a nova geração. Retornaram aos cinemas recentemente edições de aniversário de blockbusters como “Tubarão”, “De volta para o futuro”, as franquias de cinema “Harry Potter” e “Crepúsculo”, bem como obras cult, como “Paris, Texas”, “Incêndios” e “Amores brutos”. Só no último fim de semana dois longas europeus de terror voltaram para a telona em ótima cópia restaurada em 4K: o italiano “Suspiria” (1977), de Dario Argento, e o mexicano “Veneno para as fadas” (1986), de Carlos Enrique Taboada, demonstrando que há espaço para filmes antigos seja em cinemas de shopping ou de rua. “Veneno para as fadas” é um assustador filme do terror mexicano moderno, vencedor de três Prêmios Ariel em 1986, também um persuasivo suspense psicológico sobre os medos da criança. Simbólico, o longa foi o último trabalho do diretor Carlos Enrique Taboada (1929-1997), cineasta que abriu espaço ao cinema de horror no México a partir da década de 60 (são dele também, desse gênero e desse período, as obras de horror de fantasia e mistério “Até o vento em medo”, “O livro de pedra” e “O andarilho na chuva”). Com forte atmosfera gótica e utilizando elementos do folk horror, o filme explora o imaginário infantil a partir do encontro de duas garotinhas que acabam de se conhecer; uma é Flavia, que se muda para a cidade onde reside Verónica, sua colega de escola, que se apresenta como bruxa. A amizade entre elas evolui para uma relação de poder e manipulação, na qual uma será submissa à outra. A fantasia e a crueldade infantil mesclam-se criando um ambiente de tensão psicológica interminável. Os jogos aparentemente ingênuos que elas fazem de invocar Satanás culminarão em fatos sobrenaturais de arrepiar o cabelo. Taboada recorre a manejos não-sensacionalistas nem explícitos para contar sua história; tudo é subentendido, nas entrelinhas, com penumbras e silhuetas, o que torna a obra ainda mais assustadora. O terror é sugestivo, nasce da imaginação das crianças e daquilo que parece ser, tornando a experiência do espectador incômoda (tem uma cena rápida da bruxa no caldeirão que arrepia). Rodado na Cidade do México, com orçamento modesto, cenários cotidianos e fotografia sombria, o filme conta com bom trabalho das atrizes infantis, Ana Patricia Rojo (como Verónica) e Elsa María Gutiérrez (Flavia). A volta do longa restaurado em 4K nos cinemas, com distribuição da Filmicca, enaltece (e homenageia) o cinema desse cineasta desconhecido de muitos, apresentando ao público uma obra com mais nitidez em som e imagem. A Filmicca é um streaming nacional e independente de cinema autoral e cult, com lançamentos semanais, incluindo obras inéditas e de festivais. Possui vasto acervo com mais de 500 títulos disponíveis, incluindo obras de importantes realizadores como Chantal Akerman, Kiyoshi Kurosawa, André Novais Oliveira, David Cronenberg, Mia Hansen-Løve, Miloš Forman, Víctor Erice e Djibril Diop Mambéty. E com “Veneno para as fadas”, a proposta da Filmicca é distribuir mais títulos nas salas de cinema. PS: Quem quiser conhecer mais do cinema de horror mexicano, a Versátil Home Video já lançou mais de 20 títulos em DVD, em boxes especiais, como o próprio “Veneno para fadas” e “O andarilho na chuva”, além dos cultuados “O morcego”, “Satanico pandemonium”, “A tia Alejandra” e “Alucarda”.

Mãe e filho

Dois filmes iranianos foram destaque na programação da Mostra Internacional de Cinema de SP do ano passado, onde os assisti: “Foi apenas um acidente”, ganhador da Palma de Ouro em Cannes, de Jafar Panahi (que esteve no evento para receber o prêmio Humanidade), e “Mãe e filho” (exibido com “Woman and child”). O drama, coproduzido na França, também teve sessões no Festival de Cannes de 2025, concorrendo à Palma de Ouro, num trabalho exímio do cineasta Saeed Roustayi, que tem muito a nos contar. Aprecio os cult movies iranianos desde minha inserção no mundo da crítica, há quase 30 anos, e este é um daqueles dramas de sufocar a alma. É a história de uma enfermeira viúva (Parinaz Izadyar – muito bem como protagonista) que trabalha em um hospital e mora com o filho rebelde. O garoto causa problemas na escola e acaba suspenso das aulas. Prestes a noivar com o novo namorado, relacionamento não aceito pela família, a enfermeira sofre um baque quando um incidente mata seu filho. O longa é dividido em dois momentos: antes da estranha morte do garoto, mostrando os dias turbulentos daquela mulher cuja rotina é ficar no hospital e cuidar do rapaz, e depois do fato trágico, quando a mulher embarca numa jornada de investigação pessoal para desvendar o ocorrido. As duas partes, juntas, formam uma obra densa, dolorosa, de uma mãe disposta a enfrentar o mundo por justiça ao filho morto. Filmes iranianos de drama com suspense, como os de Asghar Farhadi, nos prendem com suas sólidas tramas, e este, apesar de não ser dele, lembra muito e é uma ótima recomendação. Estreia hoje nos principais cinemas brasileiros, com distribuição da Retrato Filmes.

Yiya Murano: Morte na hora do chá

 Documentário da Netflix que acaba de estrear lá, o filme trata da primeira serial killer da Argentina, Yiya Murano (1930-2014), uma senhorinha que ficou conhecida como “A envenenadora de Montserrat” (em referência ao bairro onde ela circulava). O filme argentino resgata do baú dos noticiários da época uma série de reportagens, além de arquivos policiais, juntando depoimentos atuais do filho dela, que foi dublê de cinema, Martin Murano, de investigadores, jornalistas e familiares das vítimas. Martin nunca se deu bem com a mãe e foi um dos idealizadores do documentário; ele relembra que desde criança não tinha relação com Yiya, e quando os casos dos crimes vieram à tona, afastou-se de vez dela. Yiya tinha quase 50 anos quando foi acusada de envenenar várias mulheres de mesma idade para dar um golpe milionário. As mortes ocorreram por envenenamento, na Buenos Aires dos anos 70 e 80 – Yiya colocava veneno em doces na hora do chá da tarde na casa das vítimas. Segundo contam no filme, ela era uma senhora de boa aparência, vestia-se bem e frequentava a noite badalada da Avenida Corrientes. Quando o caso envolvendo assassinatos explodiu, ela negou até o fim da vida. O destaque do filme, que acho importante aqui colocar, está no comportamento errôneo da mídia que a colocou no pedestal de celebridade; Yiya virou um ícone pop na Argentina, dava entrevistas em talk shows sobre o caso, não se importando com as críticas. Em certo momento da vida, já bem idosa, não ligava mais de ser chamada de envenenadora, e suas aparições batendo boca com o filho em TV aberta e revidando com os espectadores chegam a ser sensacionalismo fuleiro, verdadeiras piadas de mau gosto. Isto acende um alerta de como emissoras, inclusive brasileiras, dão voz a bandidos vangloriando seus comportamentos (o que a meu ver é falta de ética jornalística, já que focam apenas em audiência). O diretor Alejandro Hartmann havia realizado para a Netflix diversos docs sobre casos policiais reais na Argentina, como o filme “O fotógrafo e o carteiro: O crime que parou a Argentina” (2022) - sobre o assassinato do fotojornalista José Luis Cabezas, em 1997, cometido por um empresário que quis silenciar a vítima, e “O caso dos irmãos Menendez” (2024), sobre os irmãos que mataram os pais, além das minisséries “Quem matou María Marta?” (2020) e “Nahir: O segredo de um crime” (2024). Já havia uma minissérie dramatizada sobre o caso Yiya, intitulado “Yiya” (2025), da Flow, uma TV a cabo argentina – e agora este filme da Netflix vem para atualizar a história.

Devoradores de estrelas

Uma das sensações do cinema de 2026, o épico de ficção científica dirigido por Phil Lord e Christopher Miller, baseado no best-seller “Project Hail Mary” de Andy Weir, completa sete semanas em cartaz. Só na capital São Paulo permanece em 12 salas de cinema espalhadas pela cidade. Manteve-se na liderança em bilheteria em vários países, incluindo aqui, e dos U$ 200 milhões de orçamento, já fez mais de U$ 615 milhões pelo mundo. O space opera de caráter humanista, em vários aspectos com apelo ao Hard Science Fiction, traz um Ryan Gosling sentimental e solitário como um astronauta improvável, em uma missão de vida ou morte na escuridão do espaço sideral. Ele é Ryland Grace, um professor de ciências que na Terra, antes de embarcar na cápsula para a viagem, já era um homem sozinho, sem esposa, filhos ou animais. Ele acorda a anos-luz de uma expedição, sem memória. Perambulando pela nave, descobre que a tripulação está morta, e ele, o único sobrevivente. Aos poucos vai compreendendo sua complicada situação, tentando contato com a base nos Estados Unidos, principalmente com sua cientista-chefe, Eva Stratt (Sandra Hüller). Os dias são cansativos e intermináveis, até que recebe objetos, como forma de contato, de uma espécie de nave que aparece e desaparece bem próxima. Ele bota a roupa de astronauta e se dirige à espaçonave vizinha, e lá encontra uma criatura alienígena (eridiana) que lembra uma aranha, só que de pedra, envolta em uma estrutura dura para armazenar amônia, gás que usa para respirar (Rocky será seu apelido, cuja voz é emprestada do ator James Ortiz). Rocky também tem uma missão semelhante à de Ryland: deter a ação de um astrófago recém-descoberto, uma praga interestelar que consome a energia das estrelas (por isso o título) e que em breve causará danos irreversíveis ao planeta, como a extinção da vida humana. Os dois se tornam amigos, só que eles são muito diferentes: Ryaldn terá de descobrir uma maneira de comunicação com o alienígena de pedra. É daqueles filmes de saga, de longa duração, para ver na telona, com bom som e imagem – isso porque o filme foi todo rodado em IMAX, tecnologia de câmeras de altíssima resolução, com som imersivo e nitidez superior em telas gigantes. Parte do potencial do longa se concentra nas concepções visual e sonora, por isso, reafirmo, se puder veja na sala de cinema. O filme é uma mistura de espetáculo grandioso com cenas de aventura e emoção, algumas que não deixam a gente piscar. É uma ficção científica fortificada com doses de romance, ação, aventura e drama. O roteiro, fiel ao espírito do livro, equilibra ciência com humor e pontos de profunda humanidade, transformando a aventura espacial em uma reflexão sobre amizade, sacrifício, trabalho em conjunto e empatia. Ryan Gosling está mais carismático do que nunca, bem como Sandra Hüller abrilhanta na pequena participação que faz no filme (os dois podem receber indicações a Globo de Ouro ou até Oscar em 2027). A cativante trilha sonora do indicado ao Oscar por “Os 7 de Chicago” Daniel Pemberton é um primor de trabalho. Vale destacar que a dupla de diretores Lord e Miller, conhecidos por sua versatilidade em filmes que vão da animação “Uma aventura Lego” à produção de “Homem-aranha: No Aranhaverso”, demonstram uma nova rota na carreira com essa preciosidade scifi cheia de humor e intimidade. Eles estão em fase de produção do novo filme scifi de viagem espacial, “Artemis”, também baseada em obra de Andy Weir (o mesmo autor do livro que originou o filme “Perdido em Marte”). Para mim, um dos melhores longas de cinema de 2026 (logo sairá no streaming).

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Sobre o Colunista:

Felipe Brida

Felipe Brida

Jornalista, cr?tico de cinema e professor de cinema, ? mestre em Linguagens, M?dia e Arte pela PUC-Campinas. Especialista em Artes Visuais e Intermeios pela Unicamp e em Gest?o Cultural pelo Centro Universit?rio Senac SP, ? pesquisador de cinema desde 1997. Ministra palestras e minicursos de cinema em faculdades e universidades, e ? professor titular de Comunica??o e Artes no Imes Catanduva (Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva), no Senac Catanduva e na Fatec Catanduva. Foi redator especial dos sites de cinema E-pipoca e Cineminha (UOL) e do boletim informativo "Colunas e Notas". Desde 2008 mant?m o blog "Cinema na Web". Apresenta quadros semanais de cinema em r?dio e TV do interior de S?o e tem colunas de cinema em jornais e revistas de Catanduva. Foi j?ri em mostras e festivais de cinema, como Bag?, An?polis, Bras?lia e Goi?nia, e consultor do Brafft - Brazilian Film Festival of Toronto 2009 e do Expressions of Brazil (Canada). Ex-comentarista de cinema nas r?dios Bandeirantes e Globo AM, foi um dos criadores dos sites Go!Cinema (1998-2000), CINEinCAT (2001-2002) e Webcena (2001-2003). Escreve resenhas especiais para livretos de distribuidoras de cinema como Vers?til Home V?deo e Obras-primas do Cinema. Contato: felipebb85@hotmail.com

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