RESENHA CRÍTICA: Mogli, O Menino Lobo (The Jungle Book)
O novo Mogli é uma grande diversão para adultos e crianças
Mogli, O Menino Lobo (The Jungle Book)
EUA, 16. 115 min. Direção de Jon Favreau. Roteiro de Justin Marks baseado em livro de Rudyard Kipling. Com vozes originais de Christopher Walken, Bill Murray, Ben Kingsley, Neel Sethi (como Mogli), Idris Elba, Lupita Nyongo, Scarlett Johansson, Giancarlo Esposito.
Qualquer fã de cinema como eu já alimentou sua imaginação inúmeras vezes com diferentes versões do Livro da Selva de Mestre Kipling, que teve competentes versões para a tela. A mais antiga que posso recordar era com um garoto indiano chamado Sabu (1924-63) que estrelou como Mowgly, a versão inglesa de 1942 feita por Zoltan Korda (Sabu já vinha de sucessos como O Menino e o Elefante e O Ladrão de Bagdá). Assisti naturalmente já em reprise e para os olhos de criança tudo me pareceu convincente. Mas foi em 1967, ou seja, quase 50 anos atrás, que veio o desenho animado que é considerado um clássico (mas na época críticos americanos o demoliram). Nesta versão nova usa-se inclusive diversas versões de “Necessário, Somente o necessário”( The Bare Necessities), que volta a ser a música tema deste Mogli, interpretado pelo urso com a voz de Bill Murray. Também se aproveita aqui na versão atual outras canções, a nova I Wanna Be Like You dos Irmãos Sherman, Trust in Me (a canção da Python, por Scarlett Johansson, também dos Shermans). Mas houve ainda uma versão que era bem divertida de 1996, que se chamou O Livro da Selva e era original porque estrelada por um adulto oriental Jason Scott Lee (havaiano e chinês).
Nada me preparava porém para esta surpreendente e espetacular refilmagem sobre as ordens do competente ator e realizador Jon Favreau (Homem de Ferro I, 2, e 3). Já começa e termina com uma admirável sequência com o herói menino correndo pelas selvas (e desta vez o 3D me pareceu mais necessário do que costume). Realmente a qualidade da tecnologia de CGI chegou a um ponto excepcional onde as paisagens (gerados por VFX) e os animais são caracterizados de forma sempre convincente. Realmente a que ponto chegamos num filme que é quase total animação (se bem que os “pupeteers”, ou seja a turma da Jim Henson Creature Shop, tenha tido também importância em sua manipulação) a não ser pelo menino Mogli (feito pelo garoto Neel, que é indiano de família mas nascido em Nova York em 2003. Simpático e espontâneo é uma escolha perfeita).
Na verdade a Disney parece ter acertado novamente conservando a estrutura do desenho original, mas também a expandindo (a mudança mais evidente é que no desenho o Rei Louie era um orangotango que não existe na Índia e agora foi transformado numa figura mítica ancestral dele, o gigantropithecus e ainda mais assustadora). Destaque para a primeira mulher fazendo a cobra Kaa (no caso Scarlett Johansson estava 8 meses grávida) e o último trabalho do humorista Garry Shandling, que morreu recentemente (como Ikki). Não há necessidade de se fazer uma sinopse de uma história tão conhecida, há trocas de alguns nomes e um final um pouco diferente mas que abre caminho mais fácil para uma continuação (que já esta em negociações no estúdio). Há também uma ceninha de árvores caindo na correnteza que lembra um pouco o filme da Pixar, O Bom Dinossauro (15). Mas o que importa é que o novo Mogli é uma grande diversão para adultos e crianças.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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