Ouvir de Quintana por Eles

Juarez Fonseca coordenou as evocacoes em torno do poeta Mario Quintana, cujos 120 anos de nascimento se dariam em 30 de julho

13/07/2026 04:29 Por Eron Duarte Fagundes
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Festival Fronteiras. Memorial do Ministério Público, nas cercanias da praça da Matriz, em Porto Alegre. Entardecer da fria sexta-feira do inverno gaúcho, de 15 de maio de 2026. Auditório atento. Um dos principais cérebros da cultura gaúcha, o jornalista Juarez Fonseca coordenou as evocações em torno do poeta Mário Quintana, cujos 120 anos de nascimento se dariam em 30 de julho. O jornalista e escritor Liberato Vieira da Cunha, que nos tempos áureos trabalhou em redações de jornal de frente para a mesa de trabalho de Mário, introduziu as lembranças ao ler alguns apontamentos seus sobre o poeta. O poeta Armindo Trevisan também fez a leitura de um texto escrito. Sergio Faraco, um grande contista, usou seu verbo cotidiano para lembrar a convivência com Quintana. A fotógrafa e jornalista Dulce Helfer evocou muito do Mário ranzinza humanizando ou dessacralizando o chamado grande homem. A poetisa Cecília Meireles foi trazida ali como a grande paixão feminina de um espírito como o de Mário que muitas vezes pode parecer assexuado. Após as conversas literárias, o grupo musical Ruta 33 declamou, em ritmo hip hop, poemas clássicos de Quintana. Quem foi Quintana que, vindo do interior como muitos de nós, viveu a maior parte de sua vida nesta Porto Alegre que aqui e ali parece existir para seus versos, feitos da respiração desta cidade? O mistério Quintana não se desfez com as palavras de Liberato, Armindo, Faraco, Dulce e Juarez, mas nas artimanhas do que disseram algumas brechas assomaram à luz para chegarmos lá. Andei por esta Porto Alegre de Quintana em muitos anos em que ele esteve por estas ruas, mas nunca deparei com ele nem muito menos convivi com o grande poeta; mas estive próximo de algumas pessoas que tiveram esse privilégio. Lembro conversas com meu amigo Décio Freitas, já falecido, em que o grande historiador me dizia que, nos anos 40, ele e Mário fizeram a cobertura do fim da guerra, na redação de jornal, a partir de notícias de rádio e telex. Leitor das coisas de cinema, também estão vivas em mim crônicas do crítico de cinema Ivo Egon Stigger em que ele relatou na década de 80, os problemas de Mário, frequentador de cinema e já idoso, para subir as escadas do cinema Scala, mezanino do cinema Cacique, no coração da rua da Praia. Assim, tendo ouvido Liberato, Faraco, Juarez, Armindo, Dulce, e pensando em Décio e em Ivo, lá vou eu a compor meu Quintana fora dos livros, fora do panteão literário que ele ocupa como ninguém.

 

(Eron Duarte Fagundes – eron@dvdmagazine.com.br)

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Sobre o Colunista:

Eron Duarte Fagundes

Eron Duarte Fagundes

Eron Duarte Fagundes é natural de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, onde nasceu em 1955; mora em Porto Alegre; curte muito cinema e literatura, entre outras artes; escreveu o livro ?Uma vida nos cinemas?, publicado pela editora Movimento em 1999, e desde a década de 80 tem seus textos publicados em diversos jornais e outras publicações de cinema em Porto Alegre. E-mail: eron@dvdmagazine.com.br

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