RESENHA CRÌTICA: Cidade de Deus Dez Anos Depois

Poderia ser um extra de alguma reedição em DVD ou Bluray do filme. Mesmo assim seria descartável

06/11/2015 14:16 • Da Redação
RESENHA CRÃŒTICA: Cidade de Deus Dez Anos Depois

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Cidade de Deus Dez Anos Depois

Brasil, 13. 70 min. Direção de Cavi Borges, Luciano Vidigal.

É daquelas ironias do cinema, pronto já dois anos, só agora consegue lançamento. E filme não é que nem vinho, envelhece na prateleira e muito se perde. É perecível. Talvez na época em que foi rodado tivesse maior impacto (e não se deram ao trabalho ou custo de atualizá-lo) embora não passe de um making of, em busca de um escândalo, de um novo caso Pixote.

Embora sejam simpáticos em creditarem a jornalista Rosario Caetano como autora da ideia inicial, o filme falha no mais óbvio. Não apenas deixa de lado entrevistas/depoimentos de atores importantes do elenco como Matheus Nachtergaele e Graziella Moretto, como principalmente os responsáveis pelo projeto, sejam produtores, seja o diretor Fernando Meirelles (cuja palavra é fundamental), seja sua assistente Katia Lund, seja a parte técnica (fotografia, música etc.) e explicar melhor suas continuações (feitas para a TV e uma para cinema!). Da maneira que está é um repetitivo samba de uma nota só, onde se ouve e tornar a ouvir os lamentos dos na verdade simpáticos habitantes de periferia que tiveram a chance de participar do filme, sentiram o bafejo da fama para depois caírem na realidade e ao menos num caso chegarem a se tornar ladrões. Todos que depõem são simpáticos e humanos mas nada é conclusivo e com frequência confuso. Por outro lado tem uma participação de Alice Braga, a única que partiu para carreira internacional e tem-se o depoimento sóbrio dos hoje profissionais Jonathan Haagensen e Thiago Martins (que não tinha percebido que era aquele pequeno matador de Zé Pequeno e que hoje virou um bom ator de novelas e cinema).

Enfim, o documentário poderia ser um extra de alguma reedição em DVD ou Bluray do filme. Mesmo assim seria descartável.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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