O Teatro Narrativo a Moda Antiga
Rodrigo Portella faz de sua montagem de O Deus da Carnificina (2026), a peca escrita pela francesa Yasmina Reza, uma encenacao despojada
Foto: Internet
Rodrigo Portella faz de sua montagem de O deus da carnificina (2026), a peça escrita pela francesa Yasmina Reza, uma encenação despojada, recursos cênicos reduzidos ao essencial para o entendimento do espectador. Os diálogos e a valorização dos gestos e da entonação dos intérpretes dominam a forma teatral usada por Portella; mesmo quando tem de esclarecer as entradas e saídas de cena das personagens e descrever algumas situações (como o mal-estar e vômito duma das mulheres dentro do apartamento, ou simular as ligações por celular, o diretor recorre ao texto, evita inteiramente encenar ou simular um vômito, um celular), estamos diante do texto, o ator cola-se ao texto como um teatro primitivo, uma pobreza de formas que no fundo é puro rigor estilístico, ascético, aqui e ali um pouco engessado. Naturalmente a encenação de Portella passa um pouco pela visão do filme de Roman Polanski, especialmente na caracterização física (próxima) dos intérpretes. Polanski é um diretor preciso e sensível de atores; Portella conta mais com a inspiração de seu elenco, que em vários instantes parece dentro dum oscilante amadorismo que não invalida o projeto teatral mas o retém muito.
(Peça vista no Teatro TotalEnergies/Sala Adolpho Bloch, no Rio de Janeiro, em maio de 2026)
Sobre o Colunista:
Eron Duarte Fagundes
Eron Duarte Fagundes é natural de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, onde nasceu em 1955; mora em Porto Alegre; curte muito cinema e literatura, entre outras artes; escreveu o livro ?Uma vida nos cinemas?, publicado pela editora Movimento em 1999, e desde a década de 80 tem seus textos publicados em diversos jornais e outras publicações de cinema em Porto Alegre. E-mail: eron@dvdmagazine.com.br
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