RESENHA CRÍTICA: O Homem Que Viu o Infinito (The Man Who Knew Infinity)
Este é mais um daqueles dramas britânicos que contam histórias reais com toda sobriedade e elegância. Pena que lhe falte maior drama e desenvoltura
O Homem Que Viu o Infinito (The Man Who Knew Infinity)
Inglaterra, 16. 103 min. Direção de Matt Brown. Com Dev Patel, Jeremy Irons, Malcolm Sinclair, Toby Jones, Jeremy Northam.
Este é mais um daqueles dramas britânicos que contam histórias reais com toda sobriedade e elegância, sem nunca assumirem a culpa dos ingleses nem aprofundarem demais os erros e questões. Dirigido por um roteirista e ocasional diretor (fez antes Ropewalk, 2000) chamado Matt (ou Matthew) Brown. Todo mundo é educado, bem vestido, pedante, preconceituoso (embora evitem por dedos nas feridas, é evidente que desprezam o protagonista por ser indiano/Hindu, no papel está Dev Patel, o rapaz de Quem Quer ser Milionário, sempre bem mais a vontade na comédia). Enquanto Jeremy Irons limita-se ao de sempre, ficar preocupado e resolver a questão tarde demais...
Esta é basicamente a história real de um certo matemático Snirivasa Ramanujan, autodidata que, embora seja brilhante no que faz e pesquisa, é rejeitado pelos professores de sua terra natal. Consegue uma chance de ir estudar na Inglaterra, mas novamente esbarra em toda sorte de preconceitos e ciúmes (a questão é basicamente que toda descoberta matemática tem que se demonstrada antes, comprovada, não basta usar intuições ou percepções). O herói é casado, mas obrigado a morar distante dela (que fica na Índia quando ele vai para a Academia). Ou seja, uma história previsível, que vai interessar especialmente os matemáticos e cientistas. A gente assiste com certa distância, mas algum prazer. Pena que lhe falte maior drama e desenvoltura.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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