RESENHA CRÍTICA: Uma Longa Viagem (The Railway Man)

Uma Longa Viagem (The Railway Man)

15/12/2014 14:54 • Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CR�TICA: Uma Longa Viagem (The Railway Man)

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Uma Longa Viagem (The Railway Man)

Inglaterra, 13. Direção de Jonathan Teplitzky.  Com Colin Firth, Nicole Kidman, Stellan Skasgaard, Jeremy Irvine, Michael MacKenzie, Jeffrey Daunton.  116 min

 

Não estou muito seguro que exista ainda público para um filme como este, antiquado e pesado, bastante competente mas que nos tempos atuais, pode interessar apenas a um grupo pequeno de pessoas, quase todas elas com mais de 60 anos. Essa seria a idade daqueles hoje que mais ouviram falar do filme A Ponte sobre o Rio Kwai (57) de David Lean, vencedor de 7 Oscars, inclusive melhor filme, ator (Alec Guinness), diretor e além disso tendo uma marcha militar clássica até hoje como tema musical, Colonel Bogey. É pouco provável que os jovens se interessem por  esta  outra versão dos mesmos fatos reais, agora contados por livro do escocês  Eric Lomax (1919-2012). Também sou pouco familiarizado com o diretor do filme, que, no entanto, revelou talento em dois filmes pequenos que vi na Internet (Paixão e Sedução/Better than Sex, 2000) e o ainda mais curioso Burning Man (11).

Ele até parece ter mão para a coisa mas sua trama hoje em dia já não  provoca grandes lances . Basicamente o que vocês viram no filme Kwai (prisioneiros britânicos foram aprisionados brutalmente por soldados japoneses que os transformaram em prisioneiros de guerra e com requintes de crueldade os fizeram construir  uma estrada perto do Rio (que fica no atual Tailândia e que aparece no final do filme).  Esta é a história de Eric Lomax, um britânico veterano da Segunda Guerra, que numa  viagem de trem conhece uma bela jovem - Nicole Kidman, num papel que não precisava fazer - por quem se sente atraído (chega a mencionar o clássico Brief Encounter do mesmo diretor Lean), mas não será esse o caminho. Lomax é um homem atormentado pelo seu passado, quando foi forçado a trabalhar na Burma Railway, ou Estrada da Morte. Porque para construí-la morreram mais de 100 mil pessoas!!!

O filme naturalmente segue duas trilhas o romance e casamento com Nicole (que por isso tem uma participação decorativa) e os flashbacks mostrando a luta de Eric para sobreviver em particular sendo torturado por um oficial chamado Nagase (quem faz o personagem novo é o Jeremy Irvine, escolhido pelo próprio Colin, que o viu em War Horse). Eventualmente o grande momento do filme é quando o destino coloca Eric em contato justamente com seu algoz, seu nêmese o oficial japonês que o torturou e ainda esta vivo. E o filme faz a pergunta: é possível se perdoar o imperdoável?  Como escolher entre perdão e vingança?

Não se sabe o custo do filme, mas sua renda foi fraca, 4.430 milhões de dólares nos EUA e 17 milhões no resto do mundo.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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