RESENHA CRÍTICA: Três Faces (Trois Visages)
Não é agressivo como pode aparentar, não passando de uma viagem nas montanhas, ou seja, bem rural, mas humana e curiosa
Três Faces (Trois Visages)
Irã, 2018. 1h40min. Direção de Jafar Panahi. Com Behnaz Jafari, Jafar Panahi, Marziyeh Rezae (estreante). Roteiro de Nader Sahivar e Jafar Panahi.
Um filme muito especial que ganhou melhor filme em Antalya, Cannes melhor roteiro, diretor em Hamburgo, Prêmio São Paulo (especial Leon Cakoff). Perseguido e cercado por toda sorte de censura no Teerã o elogiado e importante diretor de cinema chamado Jafar Panhi, intensamente perseguido pelo governo e censura, é forçado a se esconder numa espécie de perigoso exílio (sem poder sair de casa ou vivendo em lugares ocultos). Behnaz Jafari é uma atriz local muito conhecida tenta ajudar a uma atriz do interior que faz vídeos, depois que sua família impede que ela vá estudar no conservatório no Tehran, também perde a ajuda do diretor de cinema Panahi para alcear a moça. Eles viajam de carro para o nordeste, mas os encontros são menos violentos do que se pensa, quando encontram a família da garota e os habitantes. Não é agressivo como pode aparentar, não passando de uma viagem nas montanhas, ou seja, bem rural, mas humana e curiosa. O diretor Panahi é forçado a viver nesse exílio embora seja famoso por seus filmes de grande sucesso (O Balão Branco, O Círculo, O Espelho, Fora do Jogo, Taxi Teerã, Cortinas Fechadas). Muito humano, mas também especial.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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