RESENHA CRÍTICA: Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider-Man: Homecoming)

Eu o achei muito divertido e terei prazer de assisti-lo de novo

05/07/2017 22:51 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider-Man: Homecoming)

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Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider-Man: Homecoming)

EUA, 17. 2h13. Direção de John Watts. Com Tom Holland, Michael Keaton, Robert Downey Jr, Marisa Tomei, Jon Favreau, Zendaya, Gwyneth Paltrow, Donald Glover, Tyne Daly.

Já estamos na quinta aventura do célebre herói (descontando animações, séries de TV inclusive a que passou nos cinemas) no que poderia ser um lance arriscado quando decidiram matar a mocinha heroína do filme anterior, justamente a futura vencedora do Oscar, Emma Stone no longo e discutível O Espetacular Homem Aranha 2 - A Ameaça de Eletro 2 (14). Preciso confessar que não sou grande admirador dos atores que viveram o personagem, o pequenino e limitado Tobey McGuire, em Homem Aranha (1, 02), (2, em 04) e 3 (07) todos sob as ordens do fã de quadrinhos e esperto Sam Raimi (alias sou fã de Kirsten Dunst, que é uma ótima atriz ainda não respeitada o suficiente). Menos ainda do alto e medonho Andrew Garfield (que apesar de tudo ganhou fama de bom ator). Diante da decisão errada a Sony precisou encontrar uma outra saída para seu herói de estimação e miraculosamente acertou. Para mim, o novo Homem Aranha, também o mais novo, é um ator britânico que tinha me impressionado muito quando o vi em O Impossível, 12, onde fazia o filho mais velho. Está longe de ser bonito, é de estatura não mais que mediana, mas tem uma coisa que não tem preço, é talentoso, bom ator, versátil, sincero e mantém uma juventude radiante que ajuda muito nesta retomada.

Tom Holland é britânico nascido em 1996, filho de comediante e ator. Foi estudar arte dramática mas ficou famoso porque durante anos fez o papel central do musical Billy Elliot no palco (em 2008). Logo depois fez o papel do filho mais velho no sucesso O Impossível (The Impossible, 12) seguido de Locke (só voz), Minha Nova Vida (13, How I Live Now, Saiorse Ronan), a série Wolf Hall, 15, No Coração do Mar, 15 com Chris Hemsworth, Capitão América: Guerra Civil, 16, Edge of Winter, 16, o recente Z a Cidade Perdida, 16, Pilmigrage, 17 , de Brendan Muldowney.

Não sei ainda o que dizer do diretor novo da série, que como sucedeu com a maior dos descobertos pelos estúdios em Hollywood, foram contratados a baixo orçamento (e alguns deles já foram despedidos! Obviamente!). O daqui se chama John Watts, fez a A Viatura (Cop Car, com Kevin Bacon, 15), o terror Clown, (14 com Peter Stormare), dentre curtas, telefilmes. Ou seja, não tinha créditos suficientes para justificar o risco que estão correndo com ele. A nova mocinha da história não é nenhuma Kirsten mas ao menos foram abertos em escalar uma bela jovem negra chamada Zendaya. Que é um veterana de vídeos musicais, séries de TV e curtas. Quem retorna com sua simpatia de sempre é a tia, feita de novo por Marisa Tomei.

Eu gosto especialmente do fato de não ficarem repetindo o que já havia sido explorado na trilogia inicial e mesmo na posterior, com o herói voando pelos ares nas ruas de Manhattan, efeito plástico mas já mais do que explorado. Toda a ação se passa em bairros mais pobres, como Queens, em situações mais humanas, com ele lutando contra os problemas de escola (mas pouco bulling que já está se tornando clichê) e usando outro negro gordão no caso como o atrapalhado melhor amigo, que o vai levar a confusões.

Já disseram que quem rouba o filme é um antigo veterano de super heróis, no caso Batman, e que renasceu depois de ser indicado ao Oscar (que deveria ter ganhado!). No caso, hoje temos que admitir muito bom ator – e até mais discreto – Michael Keaton, que tem uma participação inesperada na trama da história que não vou revelar. Outro dado fundamental, aproveitando a moda que começou a pegar, toda a ação é bem humorada, quase comédia e até com piadinhas mais teens (o herói que se chama Peter Parker é chamado de Peter Pênis).

Ou seja, tentam não reprisar o que já sabem que foi visto antes em aventuras anteriores. Mesmo porque não precisa porque este rapaz já havia aparecido antes numa participação pequena mas eficiente no Capitão America Guerra Civil (16) o que lhe colocou justamente sob as ordens de outro super herói no caso o Iron Man (Robert Downey), o que faz com que seja alivio cômico o também conhecido diretor e ator Jon Favreau, ponta de Gwyneth Paltrow, sem esquecer da tradicional aparição cômica do criador Stan Lee. E já que estamos no assunto, claro que temos dois teasers, pequenos trailers de filmes futuros. Na verdade, apreciei mais justamente o último, que bem divertido. Não esqueçam que este é o primeiro filme da Sony em parceria com a Marvel. 

Mas em computo geral eu gosto desta Volta ao Lar, construindo o herói novamente como o desajeitado teen de bom coração, que vai aprendendo aos poucos ao lidar com seus poderes, quase sempre de forma desajeitada. Bem recebido pela critica aqui e lá fora, teria custado 175 milhões de dólares. Houve poucas reclamações da parte final em excesso de CGI. Eu o achei muito divertido e terei prazer de assisti-lo de novo.

 

Homem-Aranha: Volta Ao Lar
Por Adilson de Carvalho Santos

A lembrança mais antiga que tenho de minha infância é meu pai me levando a um posto de vacinação, enquanto eu chorava muito de medo. A coragem surgiu, e o choro parou, quando meu pai me comprou “Homem Aranha #20” da editora Bloch. Na capa o herói estava algemado a J. Jonah Jameson em uma sala inundada. Se o herói podia romper as algemas e sobreviver, eu poderia enfrentar qualquer coisa. Naquele momento me tornei Peter Parker.

O personagem criado por Stan Lee e Steve Ditko, em agosto de 1962, na revista “Amazing Fantasy #15” toca cada um de uma forma. Mas a sua volta ao lar anunciada no novo filme apresenta algumas diferenças em relação às primeiras histórias do cabeça de teia. O Homem Aranha não foi pupilo de Tony Stark, e o primeiro encontro de ambos só se deu no título “Marvel Team Up #9” (1973), publicado pela primeira vez no Brasil em março de 1980 na revista “Super Herois Marvel #9”. A história “Tomorrow War” foi escrita por Gerry Conway e desenhada por Ross Andru, apresentando os heróis em uma parceria acidental, movida pelas circunstâncias, e não a de mestre–aprendiz. Poucas vezes ambos se encontrariam ao longo das décadas seguintes. Esta relação somente foi mudada a partir de uma reformulação que a editora americana começou a fazer a partir de 2004, quando o Homem Aranha passou a fazer oficialmente parte dos Vingadores, tudo orquestrado por Brian Michael Bendis e David Finch. Preparando o terreno para a vindoura guerra civil, Peter se muda para a Torre Stark passando a ser seu protegido.

Ned, o amigo de Peter no filme, é uma adaptação da figura de Ned Leeds, repórter do Clarim Diário nas hqs originais, surgido em “Amazing Spider Man #18 (Novembro de 1964). Já o vilão Abutre, alcunha de Adrian Toomes, foi criado pela dupla Lee & Ditko como um brilhante engenheiro eletrônico que cria um artefato anti-gravidade que valeria milhões se comercializado. Ao descobrir que vinha sendo roubado por seu sócio nos negócios, Toomes resolve usar sua criação para roubar e, claro, se vingar de seu ex-sócio. A primeira aparição do vilão foi em “Amazing Spider Man #2” (Maio de 1963) junto com outro vilão, o Consertador (Michael Chernus), que também aparece no novo filme. Nos quadrinhos o Abutre sempre foi um dos vilões mais recorrentes do herói, aparecendo poucos meses depois, já em “Amazing Spider #7” (Dezembro de 1963). A galeria de vilões do Aranha sempre foi bastante rica e criativa, tanto quanto a do Batman da concorrente DC Comics. Assim, o novo filme ainda introduz a figura de Mac Gargan, o Escorpião (Michael Mondo) de “Amazing Spiderman #20”, outro inimigo clássico do herói e o Shocker (Logan Marshall-Green), saído das páginas de “Amazing Spiderman #46”, quando o herói já era desenhado por John Romita.

Tom Holland é o quarto ator a viver Peter Parker. O primeiro foi o ator Nicholas Hammond no seriado de TV “Homem Aranha” (Spider Man) produzido originalmente para a grade de programação da CBS onde estreou em setembro de 1977. Nicholas era mais conhecido como Friederich, um dos filhos da famosa Familia Trapp, ou A Noviça Rebelde (65). No Brasil, o filme passou nas salas de cinema, assim como dois outros filmes “Homem Aranha Volta a Atacar” (Spiderman: Deadly Dust) e “Homem Aranha & O Desafio do Dragão” (Spiderman: The Chinese Web), estes sendo a junção de episódios da série da CBS que teve 14 episodios, exibidos irregularmente entre 1978 e 1979, e que no Brasil foi exibido inicialmente pela Rede Globo. Os efeitos eram toscos, com a teia sendo uma “cordinha” saída dos lançadores de pulso do herói que quase nada falava quando usava a roupa, não trazia nenhum vilão das HQs e explorava muito pouco dos costumeiros coadjuvantes das histórias, Tia May (Irene Tedrow) só apareceu por umas duas ocasiões, nada de Mary Jane ou Gwen Stacy, mas ao menos a figura do mal-humorado chefe J. Jonah Jameson (David White no piloto e Robert F.Simon na série). Como na época a CBS exibia outras séries de super heróis (Hulk, Mulher Maravilha, Shazam etc.), a emissora decidiu cancelar todas as séries mesmo que os índices de audiência fossem regulares. Foram mais duas décadas até que rumores apontavam para o interesse de James Cameron em dirigir um novo filme do herói que se diz “O amigo da vizinhança”, tal qual na clássica animação de 1967 cuja popular canção (Spider man, spider man, does whatever a spider can...) chegou a ser regravada pelos Ramones.

A bem sucedida trilogia dirigida por Sam Raimi entre 2002 e 2007 trouxe Tobey Maguire e Kirsten Dunst nos papeis centrais, conseguindo transpor para as telas a riqueza dos trabalhos de Lee, Ditko e Romita, fazendo das HQs originais um storyboard extenso e bem elaborado agradando aos fãs, apesar do fraco terceiro filme. Raimi era confessado fã de quadrinhos e tinha realizado antes o cult Darkman Vingança sem Rosto (estrelado por Liam Neeson,1990). Além da série de terror Evil Dead (Uma Noite Alucinante, 81), A Morte do Demônio (Evil Dead, 13).

Andrew Garfield trocou a imagem nerd e retraída de Maguire por um estilo mais leve e descolado nos dois filmes dirigidos por Marc Webb em 2012 e 2014. Estes no entanto falharam em imprimir nas telas o charme das HQs do popular personagem, repetiram a já batida origem do personagem, se perdendo na tentativa de dar um novo enfoque às aventuras já adaptadas. A talentosa Emma Stone foi o que melhor se sobressaiu desses filmes.

O filme novo vem a integrar o universo cinemático da Marvel e a coroar a volta de um dos heróis mais queridos dos quadrinhos. Como muitos, eu me apaixonei por Gwen Stacy e Mary Jane, me pendurei pelos móveis de casa brincando que eu tinha aqueles poderes. Fui um garoto tímido e descobri minha coragem quando percebi que eu também era Peter Parker.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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