RESENHA CRÍTICA: Dois Homens Contra uma Cidade (Two Men In Town)
Esta é a refilmagem oficial de um bem sucedido drama francês, é melhor assistir uma reprise do original
Dois Homens Contra uma Cidade (Two Men In Town)
França/EUA, 14. 120 min. Direção de Rachid Bouchareb. Com Forest Withaker, Harvey Keitel, Brenda Blethyn, Luis Guzman, Ellen Burstyn, Tim Guinee, Reg Cathey, Dolores Heredia.
Esta é a refilmagem oficial de um bem sucedido drama francês do diretor e roteirista José Giovanni, que aliás usa o mesmo titulo em português que não é tão adequado nesta versão homônima. O filme se chama Deux Hommes dans la ville, 73 estrelado por Alain Delon, Jean Gabin, Michel Bouquet, Minsy Farmer. Foi também um grande sucesso e provocou polêmica porque era uma critica e condenação a pena de morte, coisa de que o diretor entendia porque ele mesmo havia sido condenado a morte e passou longo período na cadeia.
Quem realizou esta nova versão, que chegou inclusive a participar como concorrente no Festival de Berlim, foi o mais famoso e respeitado diretor de origem árabe na França, que é Rachid Bouchareb, famoso por filmes como Dias de Glória, 06, Destinos Cruzados, 09 - que era também com a inglesa Brenda Blehtyn que esta excelente aqui, mais velha e sempre humana no papel da agente da lei que tenta ajudar o prisioneiro a se reabilitar - e Simplesmente uma Mulher, 12, com Sienna Miller.
Pena que esteja longe de ser seu melhor trabalho. O filme é longo, lento, mal roteirizado e desperdiça um elenco excelente. Não dá para entender muito como Ellen Burstyn tão branquela é a mãe de Forest, mas de qualquer forma em sua participação tão pequena ela continua excepcional. Na história embora continue a existir a rivalidade entre o xerife que deseja vingança (eu não gosto de Harvey Keitel e ainda mais envelhecido parece ter ficado menos convincente) e o prisioneiro que parece querer se reabilitar, ele se torna mulçumano. A Emily ( Brenda) de verdade tenta ajuda-lo, mas ele é esquentado, insiste em ter um romance com uma latina bancária e provoca a presença de um ex-companheiro de crime (Guzman).
Não há necessidade das belas paisagens desérticas porque falta ação, o conflito é mal estruturado e a pior coisa que o final aberto e precoce. Forest se esforça muito mas de fato seria melhor assistir uma reprise do original.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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