OSCAR 2014: Os Prêmios Especiais - Parte 1

São chamados agora de Governors Awards os antigos Oscars® especiais ou honorários da Academia. Na primeira parte da matéria, Angela Lansbury

10/02/2014 15:40 Por Rubens Ewald Filho
OSCAR 2014: Os Prêmios Especiais - Parte 1

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São chamados agora  de  Governors Awards os antigos Oscars® especiais ou honorários da Academia que eram antes entregues durante a festa anual. Mas foram transpostos para uma festa à parte, que tem pouca repercussão porque não é transmitida pela televisão (a não ser por alguns momentos na festa). Os prêmios são  dados àqueles que segundo eles deram contribuições significativas com seu trabalho para a indústria por meio de seu trabalho. Os prêmios  foram  apresentados em uma cerimônia em Hollywood em 16 de novembro. Mas eles estarão na festa do Oscar® (talvez não Tosi que anda doente).  Vamos falar aos poucos de todos os premiados.

 

Angela Lansbury, a Veterana

Ela finalmente virou estrela, mas foi no palco e na televisão e isso vinte anos depois de ter feito uma longa carreira em Hollywood, quase sempre perdida em papéis de vamp ou mulher mais velha. Na verdade, Angela Lansbury tinha um rosto tão particular, tão marcante, que   mesmo quando jovem, já tinha cara de velha. Era também uma atriz impecável que nunca teve medo de ser vilã ou mulher intrigante ou traiçoeira. Por isso, mesmo teve três indicações ao Oscar® de coadjuvante sem nunca ganhar. Agora finalmente a Academia lhe fazer justiça depois de já ter sido consagrada nas outras mídias, foi indicada 15 vezes ao Globo de Ouro (seja TV, seja cinema e levou o prêmio 6 vezes). Prêmio pela carreira no Sindicato dos Atores (SAG). 18 indicações ao Emmy sem nunca ganhar (um recorde). Prêmio pela carreira do Kennedy Center. Ganhou 4 Tonys (todos por shows musicais).

Nascida em 16 de outubro de 1925, em Londres, era filha de uma atriz característica Moyna McGill,  que chegou a fazer alguns filmes em Hollywood nos anos 40. Seu avô era um líder do Partido Trabalhista. Durante a Guerra a mãe foi trabalhar nos Estados Unidos e ela com os dois irmãos gêmeos estiveram no último barco que foi evacuado para a America. Em 1943, Angela fez um teste para o Retrato de Dorian Gray. Não apenas conseguiu o papel, mas também um contrato com o estúdio, o maior de todos a MGM. Tinha apenas 17 anos mas aparentava muito mais. Aparecia também cantando como uma patética cantora de salloon, o que fez com frequência na tela, mas sempre dublada. Só muito mais tarde é que teria chance de demonstrar os dotes vocais em musicais como Se a minha Cama Voasse. E shows, como seu grande êxito na Broadway Mame, Sweeney Tood, um revival de Gypsy e recentemente em A Little Night Music.

Angela não era propriamente  bonita, tinha bochechas enormes, parecia até o Fofão. Mas era uma atriz carismática. Na tela poucas vezes foi jovem como em A Mocidade é Assim (National Velvet), onde foi irmã de Elizabeth Taylor. Como ela mesma afirmou, a Metro não sabia o que fazer com ela. Em As Garçonetes de Harvey ela era a rival de Judy Garland,uma outra cantora de saloon, pelo amor de John Hodiak. Em Quando as Nuvens Passam limitava-se a cantar um número. Ela queria fazer Milady nos Três Mosqueteiros de Gene Kelly, mas ainda assim teve um bom papel e importante, na história, o da Rainha. Emprestada para a Paramount, foi a irmã de Hedy Lammar no épico Sansão e Dalila  onde namorava Victor Mature e tem uma morte trágica. Depois veio uma fase ruim onde virou matrona e coadjuvante mas quase sempre roubava o filme, como em Brotinho Indócil, com Rex Harrison e Kay Kendall, onde era a mãe da rival de Sandra Dee. Em 1963 Angela teve seu melhor momento como a mãe de Laurence Harvey no clássico Sob o Domínio do Mal (The Manchurian Candidate) de John Frankenheimer. Embora fosse apenas três anos mais velha do que Harvey, sua aparição como a mulher manipuladora e vingativa é um dos grandes momentos de sua carreira. Nem assim mudou a vida. Continuou sendo coadjuvante em  filmes como O Mundo de Henry Orient, enquanto era chamada para estrelar Mame na Broadway. Foi um enorme sucesso que depois a levaria para a TV no show Murder she Wrote, Assassinato por Escrito, uma variante de um personagem de Agatha Christie, a Miss Marple, agora transformada  na escritora Jessica Fletcher (a serie durou de 1984 a 96, onde ela também produtora). Seria na Disney que ela encontraria um lugar especial, como Se Minha Cama Voasse e depois cantando a musica tema de A Bela e a Fera.

Sua vida porém não foi fácil. Custou a ser reconhecida como a grande atriz (e estrela) que sempre foi, teve problemas com o filho (viciado em drogas fez parte do bando do assassino de Sharon Tate, Charles Mason e ela o mandou para a Irlanda em busca de cura).  Seu primeiro marido o ator Richard Cromwell (1910-60), que fez JezebelA Mocidade de Lincoln, ela só soube que era gay quando se divorciaram. Em 2000, ela largou a montagem de A Visita da Velha Senhora na Broadway por causa da doença de seu segundo e ultimo marido, o produtor Peter Shaw, que faleceu em 2003. Vendo-se solitária ela tomou a decisão de voltar a Nova York e retomar o trabalho no palco. Eu assisti as suas ultimas  aparições na Broadway, no musical A Little Night Music, em Blithe Spirit, de Noel Coward (09) e The Best Man, de Gore Vidal (12). Estava magnífica como sempre.

 

Filmografia

 

2011- Os Pinguins do Papai (Mr. Popper´s Penguins). 2009- Heidi 4 Paws (Voz). 2005- Nanny Mc Pheee - A Babá Encantada  (Nanny McPhee). 2004- The Blackwater Lightship (TV).  Assassinato por Escrito: Uma História Mortal (TV). 1999- The Unexpected Mrs. Pollifayx (TV). 1997- Anastasia (Idem. Animação. Voz). 1996- Mrs Santa Claus (TV).  1992-  Mrs ´Arris goest to Paris (TV). 1991- A Bela e a Fera (Beauty and the Beast. Animação Voz).  1990- The Love She Sought (TV). 1988 Missil Mortal (Shootdown, TV). 1986- Rage of Angels:The Story Continues (TV). 1984- The Murder of Sherlock Holmes (TV), A Companhia dos Lobos (Company of Wolves de Neil Jordan), The First Olympic: Athens. 1996- (TV Minissérie), Lace (TV) de William Hale,  A Talent for Murder (TV de Alvin Rakoff). 1983- The Gift of Love: A Christmas Story (TV). Os Piratas de Penzance (The Pirates of Penzance de Wilford Leach). 1982- The Last Unicorn (Voz), Glória Feita de Ódio (Little Gloria... Happy at Last de Waris Hussein TV),  Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street (TV). 1980- A Maldição do Espelho (The Mirror Crack´d) de Guy Hamilton. 1979- Mistério na Bavaria (The Lady Vanishes de Anthony Page). 1978- Morte Sobre o Nilo (Death on the Nile de John Gullermin). 1971- Se Minha Cama Voasse (Bedknobs and Broomsticks de Robert Stevenson). 1970- Diabólicos Sedutores (Something for Everyone de Harold Prince). 1966- A Mulher sem Rosto (Mister Buddwing). 1965- Harlow a Venus Platinada (Harlow de Gordon Douglas), As Aventuras Escandalosas de uma Ruiva (The Amorous Adventures of Moll Flanders de Terence Young), A Maior Historia de Todos os Tempos (The  Greatest Story Ever Told de George Stevens). 1964- Coração Querido (Dear Heart de Delbert Mann), O Mundo de Henry Orient (The World of Henry Orient de George Roy Hill. 1963- Cicatrizes D ´Alma (In the Cool of the Day de Robert Stevens). 1962- Sob O Domínio do Mal (The Manchurian Candidate, de Frankenheimer), O Anjo Violento (All Fall Down de John Frankenheimer), Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse (The Four Horsemen of the Apocalypse de Minnelli. Dublou a protagonista Ingrid Thulin). 1961- Feitiço Havaino (Blue Hawaii de Norman Taurog como a mãe de Elvis). 1960- Sombras no Fim da Escada (The Dark at the Top of the Sairs, de Delbert Mann), O Escândalo da Princesa (A Breath of Scandal de Michael Curtiz). 1959- O Amor de Sua Vida (Summer of the Seventeenth Doll de Leslie Norman). 1958- Brotinho Indócil (The Reluctant Debutante de Vincente Minnelli), O Mercador de Almas (The Long Hot Summer de Martin Ritt). 1956- Mata-me por Favor (Please Murder Me!) de Peter Godfrey. 1955- O Bobo da Corte (The Court Jester, de Frank e Panama) , Obrigado a Matar (A Lawless Street, de Joseph H. Lewis), No Reinado da Guilhotina (The Purple Mask de Bruce Humberstone). 1954- A Life at Stake de Paul Guilfoyle. 1953- A Porta Secreta (Remains to be Seen, de Don Weis). 1952- Motim Sangrento (Mutiny, de Edward Dmytryk). 1951- Bondade Fatal (Kind Lady de John Sturges). 1949- Sansão e Dalila (Samson and Delilah de Cecil B. De Mille), Danúbio Vermelho (Red Danube de George Sidney). 1948- Os 3 Mosqueteiros (The Three Musketeers de George Sidney), Sua Esposa e o Mundo (State of the Union de Frank Capra), Rua dos Sonhos (Tenth Avenue Angel de Roy Rowland). 1947- Inverno D´Alma (If Winter Comes de Victor Saville), O Homem sem Coração (The Private Affairs of Bel Ami de Albert Lewin. 1946- Quando as Nuvens Passam (Till the Clouds Roll By de Richard Whorf), Ouro no Barro (The Hoodlum Saint de Norman Taurog), As Garçonetes de Harvey (The Harvey Girls de George Sidney). 1945- O Retrato de Dorian Gray (The Picture  of Dorian Gray de Albert Lewin). Outra indicação ao Oscar®). 1944- A Mocidade é  Assim Mesmo (National Velvet de Clarence Brown), À Meia Luz (Gaslight de George Cukor. Lhe deu indicação ao Oscar® de coadjuvante).

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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