RESENHA CRÍTICA: A Garota Ocidental - Entre o Coração e a Tradição (A Wedding/ Noces)
O titulo nacional é risível e deve se tornar um problema para se levar a sério este drama europeu
A Garota Ocidental - Entre o Coração e a Tradição (A Wedding/ Noces)
Bélgica, Luxemburgo, Paquistão, 2017. 95 min. Direção e roteiro de Stephen Streker. Com Lina Ela Arabi, Sebastin Houbani, Babaki Karami.
O diretor é belga e seus dois trabalhos anteriores não passaram aqui. Este filme teve indicações em Istambul e Rotterdam, foi bem recebido no Canadá, em Toronto e no Festival de Roma. Realmente o titulo nacional é risível e deve se tornar um problema para se levar a sério este drama europeu que não chegou a ter grande repercussão internacional nem é especialmente original em sua trama dramática que denuncia outra jovem árabe Zahira de 18 anos vivendo na Bélgica que é obrigada a obedecer sua família paquistanesa extremamente conservadora quando é obrigado a se casar com um parente distante. Daí o evidente conflito. Seus hábitos são ocidentais e ela procura a ajuda do irmão e confidente Amir. Já na sua primeira grande aparição ela discute com um médico sobre um possível aborto. Streker não perde tempo já colocando a heroína - a atraente Lina - brigando com médicos e enfrentando repressão até o que é um final de certa maneira inesperado. Uma recomendação no elenco, com a presença do sempre eficiente ator belga Olivier Gourmet, revelado nos filmes dos Irmãos Dardenne (e que faz André) e de outro ator árabe agora famoso que é Babak Karimi que estrelou os sucessos A Separação, O Passado, O Voto é Secreto, O Apartamento e que curiosamente também é montador.
Zahira (Lina) tem a opção de escolher entre três candidatos, mas do tradicional Paquistão. Ela rejeita um possível candidato (Harmandeep Palminder que fez o drama Young Tigre) porque esta interessada num mecânico local (Zacharie Chasseaiud). Com orçamento modesto (basicamente no apartamento da moça e na loja do pai) que sem dúvida aumenta a opressão. O fato que esse pai orgulhoso tenta ser compreensivo na medida do possível e das crenças. De qualquer forma, o filme foi inspirado em fatos reais, em especial as sequências finais com Zahira.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
relacionados
últimas matérias