RESENHA CRÍTICA: Casamento de Verdade (Jenny´s Wedding)
Chega já com um mínimo de 10 ou até 20 anos de atraso esta comédia romântica (ou algo assim) que teria muito mais impacto numa época em que casamento entre mulheres fosse ainda um tabu
Casamento de Verdade (Jenny´s Wedding)
EUA, 15. 94 min. Direção e roteiro de Mary Agnes Donoghue. Com Katherine Heigl, Tom Wikinson, Linda Edmond, Grace Gummer, Alexis Bledel, Sam MacMurray, Matthew Metzger.
Chega já com um mínimo de dez ou até vinte anos de atraso esta comédia romântica (ou algo assim) que teria muito mais impacto numa época em que casamento entre mulheres fosse ainda um tabu ou um problema. Hoje felizmente é apenas uma rotina que a diretora roteirista insistiu em fazer, sem qualquer novidade ou inspiração. Pobre Katherine Heigl (por quem eu tinha uma admiração quando largou a TV de Grey´s Anatomy e fez alguns filmes interessantes como Ligeiramente Grávidos, 07 e Vestida para Casar, 08. Mas tem uma personalidade difícil, que foi comprando brigas e ficou relegada a filmes B que mal são distribuídos. O que a forçou a voltar em série de TV, agora com Doubt, um drama de advogados).
Fica difícil achar alguma graça na situação pouco inspirada de uma certa Jenny, que é gay assumida menos para sua família antiquada (o inglês Tom Wilkinson faz o pai careta num dos momentos mais fracos de sua carreira), enquanto a melhor figura do filme é a irmã mais nova que é interpretada por Grace Gummer, que é a filha de Mery Streep (está aliás na cara, pena ser mais feia) e que pela primeira vez tem um papel mais desenvolvido). Imperdoável é a noiva de Jenny (Katherine) que é a encantadora Alexis Bledel (de Gilmore Girls, outra muito mal aproveitada).
Rodado em Cleveland, Ohio. A autora do filme Donoghue foi roteirista de filmes melhores como Amigas para Sempre com Bette Midler, O Engano com Goldie Hawn, Deixe-me Viver com Michelle Pfeiffer, O Custo da Coragem (Veronica Guerin, com Cate Blanchett, 03).
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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