RESENHA CRÍTICA: Paro Quando Quero (Smetto Quando Voglio)
É preciso entrar de coração aberto para se achar muita graça neste grupo de comediantes que entram na farsa/sátira
Paro Quando Quero (Smetto Quando Voglio)
Itália, 14. 1h40 min. Direção de Sidney Sibilia. Com Edoardo Leo, Valeria Solarino, Stefano Fredi, Lorenzo Lavia, Paolo Calabresi, Valeria Aprea, Sergio Solli, Neri Marcore.
É uma pena que o cinema italiano esteja tão fora do circuito e de moda por aqui que mesmo quando se trata de um grande sucesso local (como neste caso que já tem duas continuações, Ad Honorem e Master Class!) fica difícil descobri-lo já que não conhecemos nenhum dos atores ou sequer o diretor. Só que teve 12 indicações ao David de Donatello e ganhou 4 Golden Ciak (da revista de cinema mais famosa de lá).
Então é preciso entrar de coração aberto para se achar muita graça neste grupo de comediantes que entram na farsa/sátira. O protagonista Edoardo Leo é ator de 55 créditos e escritor em 8 trabalhos. Mais 6 como diretor. Faz um pesquisador universitário que é mandado embora porque causa dos cortes na escola. Para ganhar a vida e sustentar a mulher e o filho adolescente, resolve produzir drogas recrutando os antigos colegas que estão numa situação semelhante, que apesar de suas habilidades agora vivem a margem da sociedade. Assim vão se dedicar às drogas (o título original se refere a frase que os drogados sempre dizem que são capazes de parar quando bem entenderem!). Até quando são descobertos e perseguidos por traficantes mais poderosos...
Dá para perceber que se trata de um gosto adquirido, é preciso se acostumar um pouco com os personagens, a linguagem, os atores (bons naturalmente) e a filosofia de moral duvidosa (afinal os amigos vão lançar no mercado um novo tipo de drogas, nunca antes vista!). Eu careta que sou tive dificuldade me divertir especialmente ou embarcar nesta canoa furada. Mas se esse for o tipo de humor que gosta, quem sabe...
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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