OSCAR 2015 - RESENHA: Sniper Americano (American Sniper)

Já em Pré-estreia, o filme de Clint Eastwood foi foi o êxito inesperado do fim do ano nos Estados Unidos

13/02/2015 16:42 Por Rubens Ewald Filho
OSCAR 2015 - RESENHA: Sniper Americano (American Sniper)

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Sniper Americano (American Sniper)

EUA, 14. 132 min. Direção de Clint Eastwood, Warner. Com Bradley Cooper, Sienna Miller, Kyle Gallner, Cole Konis,Ben Reed, Elise Robertson, Luke Sunshine, Troy Vincent.

Já chegando perto dos 300 milhões de dólares este foi o êxito inesperado do fim do ano nos Estados Unidos, depois de ter sido esnobado pelo Globo de Ouro e o Sindicato dos Atores. Um êxito que tem causado polêmica, como sempre provocada pelos partidos de Direita racistas que gostam de criar confusão e atrapalhar o que sobrou de governo do Sr. Obama.

Não é preciso comparar com a escolha da Academia que errou sim e feio ao não votar em atores negros de qualidade (porque haviam) representados num filme libertário como Selma. Seu silencio é frustrador (ainda mais quando eles tem pela primeira vez uma presidente negra), mas denota que é uma organização livre e distraída. Seu maior problema que eles custam a ver, que é o excesso de filmes para ser visto no mínimo de tempo, ainda mais agora que o Oscar® passou para fevereiro e não mais março. Dá para assistir e julgar tudo. Não, a verdade é que sempre terão mais e mais injustiça, às vezes porque o própria produção não teve o tempo necessário para fazer as copias de serviço e depois distribuí-las com os cuidados anti piratarias que no final das contas não funcionam lá muito bem. Ainda mais sério é o fato de que filmes sobre negros são tradicionalmente no resto do mundo e no Brasil e desde a época do VHS, tremendos fracassos de bilheterias (a exceção eram comédias com Whoopi e Eddie Murphy e ação com Denzel. Infelizmente os dois primeiros estão já se aposentando). E muitas vezes nem são importados.

Selma certamente esta sendo um injusto fracasso embora seja o primeiro filme dirigido por uma mulher que ficou entre os 8 finalistas. Por outro lado, até pela presença de Clint, que é juramentado Republicano, este Sniper (que diabos o público tem que saber que isso quer dizer franco atirador, não é nome de ninguém como fica parecendo!) é um drama muito sério, nada demagógico, e que não faz propaganda nem da guerra (Clint por sinal foi contra os americanos se meterem no Iraque). Nem faz, como pode parecer nos anúncios e até no trailer, um endeusamento de um super herói, porque era o campeão de mortes de inimigos (não em confronto, mas escondido, podendo ser crianças ou mulheres terroristas).

É preciso se ter o olhar certo para entender que o norte-americano médio criado patrioticamente mas hoje sem recursos de trabalho, com muita facilidade se inscrever para lutar por seu país numa guerra que desconhece num lugar do mundo tenebroso e conflitado, do qual não conhece a língua nem os costumes e para bem da verdade, nunca deviam ter se metido. Mas ganham um salário relativamente bom para se arriscarem a serem mortos a qualquer momento, numa Guerra sem regras, de pressão absoluta a qualquer momento. Para sobreviver é preciso se drogar, ser amigo fiel dos colegas, não pensar demais e como no caso real desde rapaz Chris Kyle se tornar exímio atirador e um exemplo para os colegas, isso durante quatro repetidas missões.

Achei que o roteiro nada sentimental, não chega a fazer um retrato muito completo e humano de Kyle, talvez porque ao contrario do que inventaram o Sr. Bradley Cooper não é muito expressivo (alem de tudo para virar guerreiro teve que engordar, raspou a barba que sempre usava e ficou mais inchado, diria deformado. O que não lhe favoreceu).  De qualquer forma, culpa de alguém Kyle continua um mistério assim como sua mulher (vivida pela inglesa Sienna Miller, que nunca me convenceu) e o final muito rápido demais, que explica mal, ficamos mais ainda perdidos. Só que com a certeza de que a culpa não é desses soldados que enfrentam com bravura suas ordens. No mínimo são heróis que ao voltarem sofrerão problemas mentais e de saúde (na guerra foram usados produtos químicos) e desprezados pelos mais bem sucedidos.

É uma situação trágica e que vive se repetindo há muitas décadas e ate agora não tinham feito um bom filme a respeito. Como Clint sabe realizar, de custo médio (68 milhões), direto, sem frescuras (este ano ele purgou um injusto fracasso com o musical Jersey Boys).

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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