NA NETFLIX: Bright (Idem)

Uma superprodução da Netflix, um lamentável equívoco

02/01/2018 07:04 Por Rubens Ewald Filho
NA NETFLIX: Bright (Idem)

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Bright (Idem)

EUA, 17. 1h57min. Direção de David Ayer. Roteiro de Max Landis, Com Will Smith, Joel Edgerton,Noomi Rapace, Edgar Ramirez, Lucy Fry, Veronica Ngo, Happy Anderson, Margaret Cho, Jay Hernandez, Dawn Olivieri. Em cartaz na Netflix.

Abrindo a página inicial do Netflix, você já foi encontrar uma overdose de capinhas com diferentes filmes e séries de TV com Will Smith! Passando daquelas que foram mais populares até os atuais malsucedidos filmes recentes do ator. Certamente celebrando o fato de que o astro apresenta agora uma superprodução da Netflix, que parece ter custado 90 milhões de dólares e foi massacrado pelos críticos norte-americanos.

O próprio diretor afirmou “que cortaram minha garganta”, reagindo seguido por um palavrão! Que o deixaram nocauteado. O que complica na verdade é o fato de que há outro projeto, uma continuação em andamento e a rejeição foi total e mundial! Não me parece algo tão fora do comum, quando você vai observar a carreira de Ayer. Que começou como roteirista de filmes de ação e só assumiu a direção com Tempos de Violência (Harsh Times, 05) um dos trabalhos menores de Christian Bale. Seguido de Os Reis da Rua (Street Kings, 08, com Keanu Reeves), Marcados para Morrer (End of Watch, 12, com Jake Gyllenhaal), Sabotagem (Sabotage com Arnold Schwarzenegger, 14), o não memorável Corações de Ferro (Fury, 14) com Brad Pitt, e ainda Esquadrão Suicida (Suicide Squad, 16, já com Will Smith, Margot Robbie) o mais famoso! Seria injusto não mencionar seu melhor trabalho que foi o roteiro de Dia de Treinamento (Training Day, 01, que deu a Denzel Washington, um segundo Oscar). E o mais curioso é o fato dele ser um dos autores do script do primeiro e original Velozes e Furiosos, 2001.

Então não lhe falta experiência, o que torna mais difícil avaliar este equivoco internacional. Talvez simplesmente o projeto fosse ambicioso demais para o que é um roteiro confuso que já não deixa claro desde o começo que se passa num futuro (a gente deveria identificar isso porque aparece na casa do herói um bicho voador que viria a ser uma fadinha brutal que logo depois morre cruelmente e não se ouve falar mais dela. Não é bem a Sininho mas chega perto!).

Mas isso poderia ser o de menos consequência se eles tivessem ao menos conseguido criar uma maquiagem menos grotesca para o outro protagonista da história, justamente o que seria Orc (supomos vagamente porque o roteiro é confuso), que vivem com os americanos policiais de Los Angeles Ets monstruosos como o parceiro do protagonista Will (chamado aqui com o nome sofisticado de Daryl Ward). O papel de Nick Jacoby é feito por um hoje famoso ator australiano muito respeitado Joel Edgerton (Aliança do Crime, O Grande Gatsby) que está irreconhecível e infelizmente impossível de ter qualquer reação emocional, já que é a pior maquiagem que vimos nos últimos anos. Dali em diante a história só vai ficando ainda mais complicada e por vezes impossível de seguir. O próprio Will parece perdido quando surge uma Elf loira Leilah que está ali para gritar e fugir (desperdício da sueca Noomi). Que por sua vez é perseguida por uma cambada de bandidos misteriosos de outras tribos do Dark Lord e principalmente duas outras mulheres ainda mais deletérias...

Do meio para o fim, vai tudo ficando mais confuso e sem pé nem cabeça, ainda que insistam em revelar algumas tramas e até mesmo santificar alguns dos protagonistas para descobrirmos que eles também são mágicos! Pena que a esta altura o filme já se perdeu repleto de explosões e de uma deficiente direção de arte. Um lamentável equívoco.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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