RESENHA CRÍTICA: A Corte (L´Hermine) - Festival Varilux do Cinema Francês 2016
Talvez eu tenha me desapontado um pouco com a resolução que deveria ter mais impacto. Mas é um filme interessante e adulto
A Corte (L´Hermine) - Festival Varilux do Cinema Francês 2016
França, 15. 98 min. Direção de Christian Vincent.Com Fabrice Luchini, Sidse Babett Knudsen, Eva Lallier, Corinne Masiero, Sophie Marie Larrouy, Simon Ferrante.
Sou grande admirador do ator Fabrice Luchini, atualmente deve ser o melhor da França e por este filme ganhou melhor ator no Festival de Veneza (o filme também levou melhor roteiro). Luchini é veterano também no palco e brilhou em filmes como Dentro da Casa, Paris, As Mulheres do Sexto Andar, Gemma Bovery e Pedalando com Moliére. Este é um filme mais discreto que interessa especialmente advogados (ainda que o sistema judicial francês seja bem diferente do nosso). Ele faz Michel Racine, presidente de um corte de justiça, extremamente exigente e honesto, que ao julgar um caso enfrenta um forte resfriado. É o processo de um jovem rebelde acusado de ter maltratado e matado sua filha de sete anos. Mas quando chega a hora de sortear os jurados, ele parece reconhecer uma mulher de seu passado. E de repente, isso pode ser um problema e um obstáculo.
Não espere porém nenhuma grande surpresa ou reviravolta, não é um novo Doze Homens e uma Sentença. E mesmo a conclusão é discreta e pouco chocante. O importante é que Fabrice segura tudo com muita discrição também. Vamos acompanhando o processo do julgamento e finalmente o reconhecimento dessa mulher misteriosa que guarda um segredo. É interpretada por uma desconhecida para nós, já madura (lembra um pouco Diane Baker) que é dinamarquesa e estrela uma série local (Borgen, uma Mulher no Poder). Outra que trabalha com toda discreção. Talvez eu tenha me desapontado um pouco com a resolução que deveria ter mais impacto. Mas é um filme interessante e adulto.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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