RESENHA CRÍTICA: Uma Promessa (Une Promesse)
Diretor se perdeu num filme tão pouco envolvente. E, portanto descartável
Uma Promessa (Une Promesse)
França/Inglaterra/Bélgica, 2013. 98 min. Romance. Roteiro de Patrice Leconte, Jerome Tonerre baseado em livro de Stefan Zweig. Com Alan Rickman, Rebecca Hall, Richard Madden, Toby Murray, Maggie Steed, Shannon Tarbet.
Mesmo os que gostam de uma história de amor, um belo drama romântico, vão ficar decepcionados com esta produção europeia fria, distante, sem qualquer emoção. É verdade que a britânica Rebecca Hall (Vicky Cristina Barcelona) esta favorecida por uma maquiagem perfeita, toda uma produção destinada a torná-la mais bela e elegante, deviam ter providenciado um roteiro mais nervoso e tenso, que poderia ter sido encontrado no livro original que inspirou a obra, outro original do Stefan Zweig (de quem adaptaram livremente o divertido Grande Hotel Budapeste) lembrado também por ter se refugiado da Segunda Guerra no Brasil, onde se suicidou.
Mas é difícil encontrar uma história mais previsível do que esta passada na Alemanha (engraçado que o visual é todo genérico e por isso difícil de localizar) pouco antes da Primeira Guerra, quando um órfão Friederich (Richard Madden, escocês que esteve em Game of Thrones), muito dedicado empregado que sem outra intenção se aproxima do dono do lugar, que está muito doente (outra aparição impecável de Alan Rickman). Ficam amigos e aos poucos o rapaz vai tomando conta dos negócios e se envolvendo com a fria e chique patroa (e também educado o filho dela). Já sei que estão pensando, vai ter adultério, tiros, conflitos e tragédia? Nada disso... A história dará um pulo e... que decepção. Não entendi como o diretor francês tão competente como Patrice Leconte (O Marido da Cabeleireira, Caindo no Ridículo) se perdeu num filme tão pouco envolvente. E, portanto descartável.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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