RESENHA CRÍTICA: Como Você É? (As You Are)
A crítica americana gostou muito do estilo do diretor. Vamos ver se tem a mesma força com o jovem público brasileiro.
Como Você É? (As You Are)
EUA, 16. 110 min. Direção de Miles Joris Peyrafitte. Com Michael Heaton, Owen Campbell, Amanda Stenblerg, Scott Cohen, John Scurti, Mary Stuart Masterson.
É curioso que esta semana tenham pensado em lançar filmes românticos para jovens, mas nem sempre estreando no mesmo lugar e ao mesmo tempo. Parece que o mais prestigioso seria justamente este aqui, que foi premiado no Festival de Sundance deste ano com a seguinte menção: ”com o Premio Especial do Júri, para reconhecer um filme que achamos que representa o espírito de independência que o festival representa.Também é um filme sobre mostra a chegada de um diretor estreante corajoso, com um grande controle de sua maneira de dirigir.Há muito o que admirar nesta notável reflexão da tradicional passagem da adolescência e aguardamos ansiosos a nova visão do criador”. O filme tem ainda outra razão para ficar badalado porque ele me parece ser o primeiro trabalho a estrear aqui liderado pelo jovem Michael Heaton, que acabou ficando famoso pela serie da Netflix, não apenas no Brasil, mas em todo os EUA: Stranger Things (onde faz Jonathan) e também um terror recente chamado Refém do Medo (16, como Stephen).
A história acontece na época em que Kurt Cobain era o prefeito da angústia teen, mostrando a amizade entre dois rapazes , Jack, um solitário (Oewn) até quando sua mãe (a Mary Stuart Masterson que já foi estrela nos anos 80) o apresenta para o mais rebelde Mark (Heaton), filho do namorado dela (Cohen). Os dois ficam amigos, quase parentes, sem ressentimentos entre si. Ambos têm paixão pela música (Cobain inspirou o título do filme). Na história entra também a amiga Sarah (Amandla). Curiosamente a intimidade entre os dois rapazes acaba se tornando sexual que fica mal resolvida quando os pais se separam.
A crítica americana gostou muito do estilo do diretor que intercala depoimentos em vídeo, que de certa forma antecipam uma crise. Houve muitos elogios também para o diretor de fotografia Caleb Heymann que optou por um visual original. Vamos ver se tem a mesma força com o jovem público brasileiro.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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