RESENHA CRÍTICA: Lembranças de um Amor Eterno (La Corrispondenza)
Este é o mais recente trabalho do diretor italiano Giuseppe Tornatore, um dos mais surpreendentes desde Cinema Paradiso
Lembranças de um Amor Eterno (La Corrispondenza)
Itália, 16. 116 min. Direção e roteiro de Giuseppe Tornatore. Música de Ennio Morricone. Com Olga Kurilenko, Jeremy Iron, Shauna MacDonald, James Bloor.
Este é o mais recente trabalho do diretor italiano de maior prestígio nestas últimas décadas, desde que se consagrou com Cinema Paradiso. Os filmes seguintes foram irregulares, mas sempre foram muito profissionais e às vezes surpreendentes. Como este aqui, que é um velho projeto dele, onde volta a desenvolver sua veia romântica,numa história de amor indicada para mulheres de uma certa idade (o ritmo lento da narrativa já provoca isso). E muito auxiliada por uma trilha musical do veterano e genial Ennio Morricone (vencedor do último Oscar da categoria pelo filme de Tarantino Os 8 Odiados).
Quem esta bem é a russa Olga Kurilenko (de James Bond Quantum of Solace) em seu melhor papel nos últimos tempos. Ela faz a heroína que vive um romance muito intenso com um professor muito inteligente e rico, já de certa idade (Jeremy Irons). Mas de repente ele some e passa a lhe mandar mensagens por correspondência, o que eventualmente leva ao inevitável, ele realmente morreu, mas mantém um sistema complicado de comunicação. Feito parcialmente na Itália, outro tanto em Londres, o filme tem bobagens (a profissão da heroína é stunt woman, dublê de cenas perigosas e não tem a menor lógica ela passar por cenas quase suicidas junto com diretores grosseiros e cenas absurdas, nada daquilo sucederia numa filmagem de verdade). Ainda que absurdo o filme também exige uma paciência para curtir o romance antiquado mas fotogênico.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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