RESENHA CRÍTICA: Mais Forte que Bombas (Louder Than Bombs)
Apesar do elenco ilustre é um filme lento, arrastado, que pouco explica e nunca comove
Mais Forte que Bombas (Louder Than Bombs)
França, Dinamarca, 15. 110 min. Direção de Joachim Trier. Com Gabriel Byrne, Isabelle Huppert, Jesse Eisenberg, Devin Druidd, Amy Ryan, David Strathairn,Ruby Jerins, Megan Ketch. Noruega,
Embora tenha concorrido no Festival de Cannes do ano passado, não tem tido uma carreira especial esta coprodução que é o primeiro trabalho em inglês do diretor norueguês Joachim Trier (que parece ser parente distante de Lars Von Trier e que realizou Reprise, Oslo, August 31st). Ganhou por isso Troféu de Bronze em Estocolmo e menção na Noruega. Mas na França, resolveram curiosamente lhe trocar de nome para Back Home, assim mesmo em inglês (o título original segundo alguns seria uma citação do álbum homônimo dos Smiths).
Mas apesar do elenco ilustre é um filme lento, arrastado, que pouco explica e nunca comove. Não só a direção é travada como os próprios personagens que como disse um crítico americano sofrem em silencio, sem fazer muito barulho e na verdade nada chega a explodir como o titulo faz supor. Tive dificuldade de perceber que a ação se passa numa cidadezinha perto de Nova York, banhado pelo Rio Hudson, e que o pai de família Gene (Byrne) é um professor, ex-ator que dirige um Volvo e tenta se comunicar com o filho adolescente (chatíssimo e caladão) Conrad (Devin). Eles perderam a mulher e respectiva mãe, Isabelle (que era uma famosa fotógrafa de guerra que morreu num acidente de automóvel, onde aparentemente adormeceu e bateu num caminhão (detalhes disso virão mais tarde, mas nunca muito precisos). Conrad joga videogames tenta conquistar uma coleguinha, mas a maior parte do tempo se comporta como o pior dos aborrescentes. Mas o papel mais ingrato é do Eisenberg, coitado malhado de todas as formas por sua atual participação em Superman v s Batman que faz o filho mais velho, já professor de sociologia e que no começo do filme parece encantado com seu primeiro filho, um bebê. A Francesa Huppert faz algumas aparições em flash-backs e fantasma em outro papel ingrato.
Todos os conflitos deveriam se deflagrar porque a obra de Isabelle deverá sofrer uma retrospectiva e um grande artigo no New York Times que poderá revelar fatos novos. Enfim, é verdade que surgirão algumas revelações, mas os protagonistas são tão aborrecidos e passivos que o espectador já perdeu o interesse.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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