RESENHA CRÍTICA: Os Cowboys (Les Cowboys)
Uma direção sombria e discreta, que não impede que o filme seja forte e mesmo emocionante. Vale a pena conhecer
Os Cowboys (Les Cowboys)
Bélgica,15. 1h 44min. Direção de Thomas Bidegan. Com François Damiens, John C. Reilly, Agathe Dronne, Ellora Torchia, Anthoine Chappey.
Um estranho e diferente filme belga, com titulo irônico, estrelado por comediante célebre por lá, Damiens, que estrelou sucessos como A Familia Bélier, Novíssimo Testamento. Começou na televisão fazendo um programa de câmera escondida e hoje é muito famoso. Também o diretor estreante é importante como roteirista de sucessos como O Profeta, Deephan, Ferrugem e Osso. Além disso, o filme foi selecionado pela Quinzena dos Realizadores e depois disso foi indicado a 4 Césars por musical original, ator estreante, diretor estreante e ator principal (Damiens).
Ou seja, não é muito comercial, mas é bem interessante começando pelo protagonista Damiens que tem uma grande figura (com um metro e noventa e dois) e faz o papel de Alain, um famoso cantor de música country que se apresenta cantando em shows pelo interior leste da França e semelhantes. Ele, Alain, sua mulher e seus dois filhos, vivem nessa região até que Kelly, uma das filhas, desaparece misteriosamente. Mais tarde escreve dizendo que não a procurem. Mas aparecem cartas escritas em árabes que demonstram que a garota se tornou uma djihadista. Com o filho Kid, eles tentam reencontrá-la numa viagem pelo oriente (Paquistão/Índia etc.). Só que na metade do filme tem um momento muito forte e trágico.
O curioso também nesta história onde o título naturalmente é mais alegórico que verdadeiro é que ela se diz inspirada num dos grandes westerns de John Ford, Rastros de Ódio. Aquele em que John Wayne e seu sobrinho, no caso Jeffrey Hunter, saiam à procura da irmã mais nova sequestrada pelos índios.
Só que tem uma leitura atual, muito séria e tocante (negando totalmente o jeito de comediante do protagonista). Uma direção sombria e discreta, que não impede que o filme seja forte e mesmo emocionante. Vale a pena conhecer.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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