RESENHA CRÍTICA: Mapas para as Estrelas (Map to the Stars)
Vulgar e bobo, poderia a trinta anos atrás ter algum impacto
Mapas para as Estrelas (Map to the Stars)
EUA, 14. 111 min. Direção de David Cronenberg. Roteiro de Bruce Wagner. Com Julianne Moore, Mia Wasikowa, Robert Pattinson, John Cusack, Evan Bird, Olivia Williams, Sarah Gadon, Carrie Fisher.
Este foi o primeiro filme do Canadense Cronenberg que ele rodou nos EUA, ainda que apenas por 5 dias na California. O roteiro é de um certo Wagner, que teria sido um dos bruxos de Carlos Castaneda. E faz ponta como o motorista careca de roupa preta.
Mas foi muito mal recebido pelo público e crítica, este drama tortuoso que por vezes pode até lembrar o abominável Cidade dos Sonhos de David Lynch, dando mais uma vez uma visão deplorável e patética de Hollywood e seus habitantes. O título se refere aqueles mapas que mostram casas de atores famosos (mas não se mostra isso, embora Patrick faça um motorista de limusine que andaria por aqueles lugares e tem aspirações de ser ator). A protagonista é a cada vez mais antipática Mia que chega a Hollywood e logo se envolve com a Família Weiss. O pai Stafford é um analista que fez fortuna com livros de auto ajuda. A mãe Cristina cuida basicamente da carreira do seu filho Benjie, 13 anos, que é uma figura muito perturbada (a ponto de chegar ao assassinato). Um dos clientes Havana é uma atriz que sonha em fazer remake do filme que fez sua mãe famosa nos anos 60, Clarice. Benjie saiu do rehab aos 9 anos e sua irmã Agathan saiu de sanatório onde foi tratada como piromaníaca.
Se depois deste resumo você não desistiu de assisti-lo é porque merece ver este melodrama cheia de gente louca e tarada, que nem senso de humor consegue ter. O tão experiente Cronenberg que soube lidar tão bem com terror se perde aqui, a tal ponto que a própria Julianne passa por momentos constrangedores e patéticos. Pretende ser sátira mas nem isso consegue. Vulgar e bobo, poderia a trinta anos atrás ter algum impacto.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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