RESENHA CRÍTICA: Kingsman Serviço Secreto (Kingsman The Secret Service)
Vale a pena assistir a este filme de espionagem britânico que nos remete ao 007 original
Kingsman Serviço Secreto (Kingsman The Secret Service)
Inglaterra, 14. 129 min. Direção de Matthew Vaughan. Com Colin Firth, Taron Egerton, Samuel L. Jackson, Mark Strong, Jack Dav enport, Mark Hamill, Sofia Boutella, Michael Caine.
Para competir com os filmes do Oscar® e os Tons de Cinza, os americanos colocaram justamente este filme britânico só conhecido por seu trailer divertido e movimentado. E deu certo: continua indo bem em sua terceira semana com 85 milhões de dólares nos EUA (para orçamento de 81!) e já 124 milhões no mercado externo. Nada mau para um filme que eu temi que esbarrasse num caso sério, a falta de memórias ou conhecimento das pessoas, mesmo quando se trata de satirizar basicamente as aventuras de James Bond.
O sucesso se deve sem dúvida ao diretor inglês Matthew Vaughan que foi produtor de Guy Ritchie (Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, Snatch e filmes como o novo Quarteto Fantástico). Como diretor, estreou com Nem Tudo é o Que Parece (Layer Cake, 2004), com Daniel Craig, Stardust, o Mistério da Estrela, além de Kick-Ass I e II. Fez ainda X Men Primeira Classe e brigou com produtores largando vários filmes no começo (como Thor). É casado com a modelo Claudia Schiffer. Deixou Dias de um Futuro Esquecido para fazer este filme.
Inspirado num Comic Book homônimo de Mark Millar e Dave Gibbons, o filme teve problemas com censura na Inglaterra (reduziram a violência e Vietnã, tiraram a sequência da Igreja). Usando um figurino caprichado, com as melhores marcas de vestuário masculino, o filme é bem britânico (e por isso ajuda saber um pouco da cultura deles) e no fundo uma sátira ao seu estilo de vida e pensamento. É também o papel mais adequado recente para o ator Colin Firth (que faz oitenta por cento de seus stunts) e com a ambição de se tornar uma franquia!
Segundo o diretor é uma carta de amor não apenas a James Bond, mas a Caçadores da Arca Perdida, Ipcrss, Arquivo Confidencial (com Caine, que está aqui ), as séries O Homem da Uncle, The Prisoner, e Flint Perigo Supremo. E achei que acertou na escolha do jovem protagonista, Taron Egerton (fez outros filmes mas não passaram aqui).
É interessante para curtir melhor o filme saber o que está escrito no Gentleman´s Guide, com as regras: um Cavalheiro nunca conta suas conquistas, assuntos privados, os seus negócios ou de qualquer outra pessoa; 2) não entra em conflito em público com inimigos nem usa roupas ou cores ou estilos fora de moda; 3) um cavalheiro está sempre a servir, abrir portas, pagar uma conta, ou chamar um taxi. Não pode recusar ajuda; 4) nunca reage com grosseria. Finge que não percebeu e age como não tivesse acontecido; 5) sempre está pronto para citar fatos interessantes, frases espertas, e trazer nas conversas o lado melhor de cada um; 6) faz sempre perguntas incisivas para manter a conversa viva, fazendo-a sentir que é a pessoa mais interessante que ele já encontrou mesmo que não seja verdade.
Basicamente a história é sobre essa super organização secreta de espiões Kingsman que recrutam um rapaz Eggsy sem classe mas promissor colocando-o no programa de treinamento da organização super competitivo. Para enfrentar outro gênio do mal. Já foi dito que o filme é o anti Bourne, recuperando a sofisticação e o humor de James Bond. Ou seja, voltam as geringonças, os truques, as mulheres bonitas, as piadas de duplo sentido, vilões megalomaníacos, ou seja, volta a ser divertido. “Fun” como dizem os americanos. Está certo em ser um tributo aos filmes de espiões, mas alguns podem achá-lo violento demais. Eu sugiro que experimente e se divirta.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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