RESENHA CRÍTICA: O Segredo dos Diamantes
Uma aventura juvenil brasileira divertida, bem feita e recomendada
O Segredo dos Diamantes
Brasil, 14. Direção de Helvecio Ratton. Com Dira Paes, Rui Resende, Manoelita Lustosa, Matheus Abreu, Rachel Pimentel, Rodolfo Vaz, Ivan Reis, Marcelo Campos.
Infelizmente não existe no Brasil a tradição de filmes infanto-juvenis, muitas vezes mesmo sendo adaptações de obras literárias importantes eles são ignorados pelo público e ainda mais as crianças, mais adeptas a consumir o que vem do estrangeiro. É uma velha luta e mesmo semana passada tivemos um caso desses com a adaptação de uma obra de Érico Veríssimo, As Aventuras do Avião Vermelho, e pouco antes, outro igualmente legal e mineiro, o Menino no Espelho de Fernando Sabino.
Tomara que não se repita aqui com este filme mineiro realizado pelo consagrado Helvécio Ratton (que já fez no gênero o primeiro Menino Maluquinho, Pequenas Histórias, além de documentários e ficção como Batismo de Sangue). Aproveitando o talento excepcional de Dira Paes (no auge de tudo) e trazendo de volta o veterano Rui Rezende, o filme é basicamente interpretado por gente mineira e todos eles se saem muito bem, inclusive as crianças. A história é simples como deveria: uma família em viagem de carro para visitar a avó no interior sofre acidente na estrada (são atingidos por caminhão) e o pai fica ferido no hospital. O casal de crianças e mais um amiguinho acabam ouvindo falar de um tesouro misterioso cuja mapa poderia ser encontrado em livros antigos, guardados em bibliotecas. Partem assim em busca dele, enfrentando os eventuais e inevitáveis perigos e riscos. Com trilha musical com o Skank, o filme é divertido, bem feito e recomendado.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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