RESENHA CRÍTICA: Praça Paris
Lucia Murat continua sua carreira sempre interessante, alterando dramas e documentários de qualidade, um filme digno e importante
Praça Paris
Brasil, 17. Direção de Lucia Murat. Com Joanna de Verona, Grace Passô, Marco Antonio Caponi, Alex Brasil, Ângelo Flávio, Babu Santana. Roteiro de Murat e Raphael Montes.Ganhou como diretor e atriz no Festival do Rio. Foi exibido em Chicago.
Lucia Murat continua sua carreira sempre interessante, alterando dramas e documentários de qualidade. Aqui conseguiu uma co-produção que inclui Portugal e Argentina (o que não deixa de ser um pouco esquisito quando o filme abre com uma canção portuguesa e segue com a moça tomando banho de mar. O ideal seria que no final o banho se repete, mas fica na impressão apenas). Porém qualquer restrição possível é demolida pela escolha da atriz central, uma figura notável, simpática e carismática, chamada Grace Passô (que esteve antes em Fronteira, O Roubo da Taça, Elon Não Acredita na Morte). Além disso, para quem não mora ou conhece bem o Rio de Janeiro, o titulo Praça Paris é confuso para o espectador.
Por outro lado, Grace é Gloria, uma figura adorável que segura a história muito singela da solitária que leva na prisão comida para seu irmão preso (escondendo um segredo do passado deles) ao mesmo tempo em que faz uma espécie de terapia com uma jovem portuguesa Camila (Joanna de Verona) que apesar da boa vontade não chega a ficar a vontade. O conflito se estende num mal entendido, mas é a presença de Grace que acaba fazendo falta na conclusão. Porém esses pequenos deslizes não prejudicam o filme digno e importante. E Viva Grace!
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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