RESENHA CRÍTICA: Uma Família de Dois (Demain Tout Commence) - FESTIVAL VERILUX
Omar Sy é uma figura cativante que justifica a diversão
Uma Família de Dois (Demain Tout Commence)
França, 16. 1h58. Direção de Hugo Gélin. Com Omar Sy, Clemence Poesy, Gloria Colston, Antoine Bertrand, Ashley Walters.
Não há dúvida que o comediante negro Omar Sy é uma figura exuberante e carismática e merece o sucesso que vem fazendo desde Intocáveis, Samba, Chocolat. Curiosamente esta é uma refilmagem de uma comedia mexicana chamada Não Aceitamos Devolução (2013) de Eugenio Derbez que fez também o papel principal (no caso, ele vive na cidade turística de Acapulco e é um playboy boa vida ate o dia em que lhe deixa um bebe na porta de sua casa, dizendo que é sua filha). E embora o roteiro utilizado seja o mesmo, esta comédia dramática tem varias diferenças a maior delas é que Sy serve de dublê de cenas de perigo (e ao menos uma complicada onde desce pulando por uma escada rolante de aeroporto é muito marcante). O filme já começa com seu pai lhe dando lições de que não deve ter medo de nada na vida (grande parte do filme se passa numa bela e deslumbrante Marselha), mas começa com ele empregado de uma boate local, que organiza grandes festas que enlouquecem os vizinhos. Enfim é um boa vida que tem o hobby de se divertir até quando surge a criança, uma mulatinha encantadora que naturalmente conquista o pai e todos que surgem na história.
Quem dirigiu o filme foi um certo Gélin, que é preciso registrar vem de um família de gente de cinema, é neto do galã Daniel Gélin e sua ex-mulher é a estrela e produtora Daniele Delorme, filho do ator e produtor Xavier Gélin e que conhecemos aqui por causa de uma divertida comédia chamada Portugal Mon Amour, ou A Gaiola Dourada.
O fato é que a comédia com ação vai bem ainda que de uma derrapada na parte entrando uma situação melodramática de doença que podia ter sido dispensada. Apesar disso Sy é uma figura cativante que justifica a diversão.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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