NA HBO: O Mago das Mentiras (The Wizard of Lies)

Filme em cartaz na HBO que pode ser meio irregular, mas nem por isso deixa de ser chocante e oportuno

23/05/2017 15:41 Por Rubens Ewald Filho
NA HBO: O Mago das Mentiras (The Wizard of Lies)

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O Mago das Mentiras (The Wizard of Lies)

EUA, 17. 2h1min. HBO. Direção de Barry Levinson. Com Robert DeNiro, Michelle Pfeiffer, Hank Azaria, Alessandro Nivola, Lili Rabe,Kristen Connolly, Nathan Darrow.

Este é uma raríssima aparição de Robert DeNiro num filme feito para a televisão (paga) que ainda por cima traz o que é provavelmente sua melhor interpretação nos últimos anos (sempre considerando que ele passou por uma fase infeliz, onde aceitou fazer tudo que é projeto aparentemente porque queria construir um pé de meia, quando estava ameaçado de câncer e deixar dinheiro para sua família de muitos filhos! E também investir em negócios do bairro/ Festival de Tribeca). O fato é que chamou aqui seu diretor de estimação Barry Levinson (vencedor do Oscar por Rain Man, 88, também indicado por Justiça para Todos, 80, Quando os Jovens Se Tornam Adultos, 82, Avalon, 91, Bugsy, 92 (roteiro e direção). Fizeram juntos ainda o cult Mera Coincidência (Wag the Dog, 97), Fora de Controle (What Just Happened, 08), Sleepers a Vingança Adormecida (96).

Enfim, DeNiro esta sóbrio, discreto, sem caretas ou exageros, misterioso porque o próprio personagem que vive é assim. Um mistério/esfinge quase impossível de explicar ou resolver. E mais ainda um fato real, um escândalo americano que arruinou a vida de um número enorme de pessoas incluindo sua própria família mulher, dois filhos (um se mata outro fica mortalmente doente). Essa pessoa se chama Bernie Madoff e fica difícil saber por que resolveu não apenas desfrutar sua fortuna mas também abrir uma outra empresa secreta, de que ninguém sabia direito, nem amigos ou familiares, onde tudo era mentira, todo o dinheiro todas as poupança eram dele e fictícias. Até que determinado momento vem a tona num escândalo monumental que deve mandá-lo para a cadeia sem remorso (como vivemos num inaudito momento de milionários corruptos e ladrões o filme se torna ainda mais oportuno e chocante).

Toda a narrativa é não linear, mas narrada com discrição sem provocar choques ou mesmo surpresas. Mas não precisava, porque tudo que mostra ao menos nos consola um pouco. Não estamos sós, tem bandido por toda parte (Madoff dá uma explicação curiosa, de sociopata, dizendo que depois do atentado de Nova York, 11 de setembro, ele achou que o mundo iria acabar ou piorar muito, e por isso diz ele resolveu criar sua fortuna pessoal exclusiva).

É um filme atualmente em cartaz na HBO Brasil e internacional que pode ser meio irregular, mas nem por isso deixa de ser chocante e oportuno. Fora DeNiro ainda há a presença discreta e já quase sessentona de Michelle Pfeiffer como a esposa fiel.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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